terça-feira, 27 de setembro de 2016

Como a Comissão de Direitos Humanos chegou à beira do colapso


Órgão fundado há 57 anos para defender direitos humanos em 35 países da América enfrenta ‘impacto devastador’ da ‘pior crise financeira da história’.

João Paulo Charleaux
 Um dos principais órgãos de defesa de direitos humanos do continente americano está pedindo “ação urgente” para atravessar “uma grave e aguda crise financeira” que pode cortar pela metade o seu tamanho, causando um “impacto devastador” na proteção dos direitos de cidadãos de 35 países da região.
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, localizada em Washington, nos EUA, foi criada em 1959 e tem sob sua responsabilidade uma região onde vivem mais de 1 bilhão de pessoas. O órgão teve seu auge na defesa de vítimas das ditaduras militares latino-americanas entre os anos 1960 e 1980, mas, a partir de 2011, passou por um processo profundo de revisão que a levou a um declínio, atingindo agora seu ponto mais crítico.
“Estamos à beira de um colapso, como nunca estivemos antes”, advertiu o americano James Cavallaro, presidente da Comissão Interamericana, em artigo publicado pelo jornal espanhol “El País”, no dia 23 de maio.
(...)




João Paulo Charleaux – 30.05.2016 
IN Nexo Jornal. 


domingo, 25 de setembro de 2016

Estacionamos na barbárie



Luiz Eduardo SOARES – “Nossos liberais apoiaram a escravidão e as ditaduras. Hoje, são proibicionistas, justificam a violência policial e toleram nosso sistema penitenciário. Resumem seu liberalismo à economia, mesmo assim apenas enquanto seus interesses não estão em risco. Caso contrário, fogem do mercado e se escondem sob as asas do BNDES. A maioria de nossos liberais pensa que direitos humanos é bandeira da esquerda — mesmo que os teóricos da esquerda a considerem liberal e só a aceitem taticamente, como recurso provisório para acumular forças e isolar “os inimigos de classe”. Enquanto não houver um centro ideológico-político liberal, que abrace as causas que deveriam ser as suas, como a equidade, enquanto a crítica à violência policial permanecer monopólio da esquerda, o destino das denúncias será o gueto, o isolamento político e a impotência para promover mudanças. E a brutalidade institucionalizada contra negros e pobres persistirá, pulverizando a lealdade popular ao Estado democrático de direito”.

Luiz Eduardo Soares
Mestre em Antropologia, doutor em Ciência Política e pós-doutor em Filosofia Política, Luiz Eduardo Soares é um dos grandes críticos da violência institucional no Brasil. Ex-secretário nacional de Segurança Pública (em 2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado do Rio de Janeiro (de 1999 a março de 2000), também é coautor dos livros que deram origem aos dois filmes Tropa de Elite.
Nesta entrevista, Soares, que está lançando seu livro mais recente, Rio de Janeiro: Histórias de Vida e Morte, pela Companhia das Letras, comenta as dificuldades de mudar a cultura de brutalidade no Brasil, o divórcio entre medidas políticas bem-intencionadas e a realidade cotidiana da atuação policial e o que pode ser feito para mudar um cenário em que a sociedade clama por soluções violentas.


Zero Hora – O que o caso da chacina da grande São Paulo, apontado como uma vingança policial, diz sobre o Brasil atual? 
Luiz Eduardo Soares – Mais do que diz, grita a plenos pulmões que estacionamos na barbárie, no que diz respeito à relação do Estado com os grupos sociais que habitam os territórios mais vulneráveis. Casos como esse não são isolados, conforme sugerem algumas autoridades. Eles pontuam com um banho de sangue mais extravagante e ostensivo a rotina das execuções extrajudiciais, perpetradas por policiais, que continuam a ocorrer em todo o país. A tradição dos esquadrões da morte, dasscuderies e das milícias persiste, resistindo à promulgação da Constituição. A lógica perversa da vingança engata, entre si, as facções criminosas e os segmentos policiais que recusam a regência da legalidade, e faz derramar sobre a sociedade o veneno da brutalidade letal. A persistência só tem sido possível porque as vítimas têm cor, classe social e endereço específicos. Se as marés de sangue banhassem as camadas médias da população, já se teria dado um basta a este horror. 
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Para continuar a leitura e ler toda a entrevista, acesse http://m.zerohora.com.br/329/proa/4831005/luiz-eduardo-soares-estacionamos-na-barbarie




Luiz Eduardo Soares – Sociólogo – 22.08.2015.

IN Zero H0ra.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Temer aplica um golpe no ensino médio brasileiro


O recado do novo MEC é claro: deixe o assunto para os “especialistas”. Para saber se você se encaixa nessa categoria, um teste rápido: seu nome é Mendonça Filho, Maria Helena Guimarães de Castro ou Rossieli Soares da Silva? Você é amiguinho deles? Em caso de duplo “não”, sinto muito: você não tem nada a dizer sobre Educação. A parte que te cabe, portanto, é usufruir das iluminadas estratégias concebidas pelos educadores de gabinete.

Leonardo Sakamoto
Um dos efeitos mais nefastos do atual momento político do país é que uma ruptura institucional capaz de derrubar alguém da Presidência da República gera incentivos para mais rupturas institucionais. Isso ajuda a explicar a gigantesca cara de pau do Ministério da Educação (MEC) em instituir uma reforma do Ensino Médio por meio de uma Medida Provisória e não por uma longa discussão que deveria congregar Congresso Nacional e a sociedade.
É um desrespeito e uma violência aos milhões de profissionais que atuam em educação, aos militantes que participam dos inúmeros fóruns e instâncias de educação no país, aos alunos que ocupam escolas em busca de uma voz. Em resumo: a todos que não têm medo do debate – ao contrário do governo.
Ninguém nega que debater essa etapa de ensino é urgente. O desempenho é sofrível, o currículo é desinteressante e a evasão, monstruosa – 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Faz todo o sentido intensificar discussões e buscar costurar acordos e consensos entre atores para avançar. E isso é algo difícil de fazer no campo da educação. Há muita gente e muitos interesses envolvidos: de alunos a pais, de professores a diretores, de administradores públicos a políticos, passando por gestores públicos e proprietários de instituições privadas.
Mas:
1) É possível (os quatro anos de conferências e de tramitação no Congresso que desembocaram no Plano Nacional de Educação são o melhor e mais recente exemplo) e
2) É necessário (quando se deseja viver numa democracia, claro).
(...)





Leonardo Sakamoto – Jornalista e professor – 22.09.2016.
IN Blog do Sakamoto.