sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sem parâmetros


A eleição da “pós-verdade” (“circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que a emoção e as crenças pessoais”) como a palavra do ano pelo Dicionário Oxford não podia ser mais adequada para definir um ano em que os movimentos de direita se definem anti-establishment. No Brasil, diante de uma esquerda enfraquecida, mentiras que impulsionam a ação:  reinventam a ameaça comunista e a necessidade de sua contenção. Essa narrativa, em última instância, legitima a ascensão do autoritarismo e do regime de exceção.

Rosana Pinheiro Machado
Nada mais perturbador do que o sentimento de perda dos parâmetros, de verdade, de justiça, de bom senso, de autoridade de tempo e direção. Não há mais regra, ou segurança, de que o voto e os direitos sejam garantidos. É um desmonte dos direitos e da segurança que traziam. É como se todas as peças do sistema estivessem frouxas. Hanna Arendt lembra-nos que as crises republicanas (o abalo da tradição, da verdade e da autoridade) deixam uma lacuna desconcertante entre o passado e o futuro. É o limbo histórico, descompasso do tempo.
Crises econômicas tornam-se também políticas e morais. O colapso é multidimensional e ocorre em múltiplos níveis e contextos.
Perdemos alguns modelos de projeção. Os países que possuíam agenda mais consolidada de direitos humanos dão um passo atrás.
(...)
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Rosana Pinheiro-Machado – Cientista Social e antropóloga, professora visitante da USP e colunista da Carta Capital – 28.12.2016.
IN Carta Capital.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Why Referendums Aren’t as Democratic as They Seem


Politicians or other powerful actors will often reframe the referendum into simplistic, straightforward narratives. The result is that votes become less about the actual policy question than about contests between abstract values, or between which narrative voters find more appealing.
 (…)
Though presented as putting power in the hands of the people, referendums are often intended to put a stamp of popular legitimacy on something leaders have already decided to do.

Amanda Taub and Max Fisher
The voters of the world have had quite a year: They rejected Colombia’s peace dealsplit Britain from the European Union; endorsed a Thai Constitution that curtails democracy; and, in Hungary, backed the government’s plan to restrict refugees, but without the necessary turnout for a valid result.
Each of these moves was determined by a national referendum. Though voters upended their governments’ plans, eroded their own rights and ignited political crises, they all accomplished one thing: They demonstrated why many political scientists consider referendums messy and dangerous.
When asked whether referendums were a good idea, Michael Marsh, a political scientist at Trinity College Dublin, said, “The simple answer is almost never.”
(...)




Amanda Taub and Max Fisher – 04.10.2016.

In NY Times.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Quando a justiça falha