sábado, 4 de agosto de 2012

A mão no vespeiro


O governo quer alterar as regras da aposentadoria do funcionalismo.
A distância entre esses dois mundos - o dos servidores federais e o do INSS - é de fato enorme quando se olha para os principais números da Previdên­cia. Do lado público, 958 mil servidores aposentados receberão neste ano 53 bi­lhões de reais. No INSS, 24 milhões de cidadãos receberão 43 bilhões de re­ais, e praticamente 70% dos aposenta­dos recebem até um salário mínimo ao mês.

Luiz Antonio Cintra
Discussão em torno das regras que regulam a aposentadoria dos servidores públi­cos federais entrou na pauta do Congresso Nacional, após quatro anos hibernando diante da resistência dos sindicatos e lideranças partidárias ligadas ao funcionalismo. Agora virou prioridade para o governo Dilma Rous­seff, que concedeu ao PL 1.992/07 a tra­mitação em regime de urgência.
A expectativa do governo é aprovar a medida com rapidez para que o proje­to siga ao Senado após o recesso e entre em vigor ainda no primeiro trimestre de 2012. Com isso, os servidores contrata­dos por concurso a partir de 2012 entra­riam sob as novas regras, alterando a tra­jetória do déficit da previdência no mé­dio prazo, que tem crescido ano a ano. Em 2011, a expectativa é que chegue a 57 bilhões de reais, ante 51 bilhões de 2010.
Por causa do regime de urgência, os deputados federais terão 45 dias para apreciar o esboço de lei ordinária, que desde a segunda-feira 21 tranca a pau­ta de votações da Câmara. Com a me­dida, o governo pretende igualar o te­to da aposentadoria dos futuros ser­vidores ao dos aposentados da inicia­tiva privada que recebem pelo Insti­tuto Nacional de Seguridade Social (INSS), hoje em 3.691,41 reais. Os ser­vidores teriam ainda a opção de ade­rir a um fundo de previdência comple­mentar, o Fundo de Previdência Com­plementar do Servidor Público Fede­ral (Funpresp), previsto no projeto. A regulação prevê uma contribuição di­vidida em partes iguais, até o máximo de 7,5% para a União. Caberá aos ges­tores do Funpresp aplicar os recursos no mercado financeiro, como fazem os fundos de pensão, de modo a garantir os recursos necessários para bancar as aposentadorias futuras. O gover­no diz que com o acréscimo dos rendi­mentos do fundo a aposentadoria dos servidores equivalerá ao provento sob as regras atuais, que usa a média sala­rial dos últimos anos da ativa. Para a União, representaria uma economia, já que hoje ela contribui com 22% do sa­lário e os servidores com 11%.
Segundo especialistas, a pressa do governo seria uma estratégia para evi­tar que os sindicatos dos servidores ­historicamente próximos do PT, mas também do PDT, PSB e PCdoB, todos da base governista - impeçam a apreciação da medida, ainda que os efeitos se res­trinjam aos funcionários contratados a partir da data da promulgação da lei.
Os defensores da medida, por sua vez, argumentam que o PL trata de seguir o espírito da Emenda Constitucional 41, aprovada no primeiro mandato do go­verno Lula, que pretendia aproximar os regimes de previdência do setor público e aquele dos trabalhadores da iniciativa privada, que recebem pelo INSS.
A distância entre esses dois mundos - o dos servidores federais e o do INSS - é de fato enorme quando se olha para os principais números da Previdên­cia. Do lado público, 958 mil servidores aposentados receberão neste ano 53 bi­lhões de reais. No INSS, 24 milhões de cidadãos receberão 43 bilhões de re­ais, e praticamente 70% dos aposenta­dos recebem até um salário mínimo ao mês, Índice que sobe a mais de 90% no caso das aposentadorias rurais.
"Esses números foram a fonte que ins­pirou a buscar a convergência das regras. Não é justo que haja essa discrepância de regras e regimes", diz Helmut Schwarzer, ex-secretário do Ministério da Previdên­cia Social, hoje pesquisador sênior em se­guridade social da Organização Interna­cional do Trabalho (OIT), baseado em Ge­nebra. Em 2007, Sehwarzer participou do grupo interministerial que elaborou o PL 1.992/07, com representantes dos ministé­rios da Previdência Social, Fazenda e Pla­nejamento. "Foi esse o sentido da Emen­da Constitucional 41, que entrou em vigor em 2004, com a qual a União passou a eco­nomizar até 0,5% do PIE ao ano, recursos que abriram espaço no Orçamento inclu­sive para ampliar politicas de proteção so­cial como o Bolsa Família", diz Schwar­zero Àquela altura, o governo preferiu dei­xar de lado a discussão em torno do siste­ma de previdência dos militares, que se­guirá com regras diferenciadas e não se­rá afetado pelo projeto.
Na ocasião, ficou evidente que o Funpresp teria condições de ganhar relevância fi­nanceira com o passar do tempo. Segun­do Schwarzer, a estimativa é que o fundo chegue a ocupar a quinta posição em volu­me de recursos em um prazo de 20 anos. Hoje equivaleria à posição ocupada pelo fundo de funcionários da Vale, o Valia, cujo patrimônio é de cerca de 14 bilhões de reais. Ainda que distante do primeiro co­locado, o Previ, cujos ativos somam mais de 150 bilhões de reais, trata-se de um vo­lume de recursos considerável.
Especialistas em contas públicas tam­bém veem com bons olhos o projeto de lei. "Hoje os aposentados do setor público re­cebem basicamente salário integral quan­do se aposentam, com pensões muito fa­vorecidas. E com o aumento da expecta­tiva de vida o setor público acaba pagan­do essas aposentadorias durante muitos anos", diz o economista Raul Veloso. "Es­sa situação aumenta muito os gastos da União e está fora de sintonia com o que se passa no INSS ou nas estatais. O PL cria uma trajetória de gasto muito diferente, ainda que no curto prazo represente al­gum custo extra para a União."
A análise do consultor Amir Khair se­gue na mesma direção. "O governo de­veria jogar com muita força. Seria uma vitória importante, pois o déficit do se­tor público é crescente", afirma o espe­cialista, para quem o regime geral, do INSS, seria sustentável, desde que se re­duzam a inadimplência, as licenças médicas 'e alguns "exageros" nas pensões. "Essa discussão se arrasta desde o início do governo Lula, mas parece que a so­ciedade acordou", explica Khair, que foi secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina.
Os sindicatos de servidores públicos e al­guns parlamentares apresentaram sua ar­gumentação contrária ao PL. "Essa pro­posta não é boa nem para o Brasil nem pa­ra os servidores", diz o deputado Rober­to Policarpo (PT-DF), cuja trajetória polí­tica começou em um sindicato ligado aos servidores do Judiciário do Distrito Fede­ral. "O problema do déficit está nos servi­dores do Executivo, que desde os anos 90 passou por um desmonte. Com as terceiri­zações e demissões, a relação de servido­res da ativa e aposentados passou a ser de um para um, quando o desejável seria de três da ativa para cada aposentado. No Ju­diciário, onde cssa relação é de quatro pa­ra um, o problema não existe. Defendo o tratamento igual (entre servidores e aposentados do INSS), mas desde que seja pa­ra melhorar, não para piorar", diz o depu­tado, que sugere a retirada do regime de urgência para mais discussões.
Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, Pedro Delarue também afirma que o projeto não deve ser aprovado. "O fun­cionalismo público é uma carreira dife­rente da do setor privado, com limita­ções e compromissos. osso regime é de dedicação exclusiva para o Estado, não podemos fazer 'bicos' ou ter dois empregos. Para conseguir um aumento, é pre­ciso que se crie uma lei, não basta pe­dir aumento ao chefe. Se cometer algum crime, a pena é maior quando se trata de um funcionário público. E a nossa con­tribuição (de 11%) incide sobre o salário da ativa, não sobre o teto da aposentado­ria, como no INSS", diz o sindicalista.
Para Delarue, a sociedade será a maior prejudicada no médio prazo, ca­so o PL vire lei. "Se não houver atra­tivos, não há como fisgar as melhores cabeças para atuar no Estado. Um mi­nistro do STF, por exemplo, que ganha no topo da carreira perto de 26 mil re­ais, contribui com 2,8 mil reais ao mês. O problema do INSS é que o patrimô­nio do FGTS foi dilapidado ao longo do tempo, por isso existe esse déficit."
Assim como o Sindifisco Nacional, outros sindicatos de servidores sinali­zaram a intenção de recorrer à Justiça caso a mudança seja aprovada. Entre os pontos mais criticados está a obri­gatoriedade de terceirizar para a iniciativa privada a gestão do Funpresp.
"A expectativa é que eja aprovado nas próximas semanas", diz o deputa­do Ricardo Berzoini (PT- P). "Consi­deramos legítimas as críticas dos sin­dicatos, mas a bancada petista de mo­do geral aceitou o conceito. Como pre­cisaremos perto de 250 votos para aprovar, acho que não teremos proble­mas. A urgência justifica-se porque o governo tem a necessidade de contra­tar bastante no ano que vem."
Também da base, o deputado Silvio Costa (PTB-PE) defende a aprovação com veemência, inclusive por conside­rar um "escândalo" o modelo vigente. "Aprovar esse projeto é uma questão de responsabilidade pública. Ou resol­vemos esse problema ou vai faltar di­nheiro para pagar os aposentados."
Nas negociações recentes, contudo, o projeto original começou a sofrer altera­ções. De um lado, a necessidade de tercei­rizar a gestão "subiu no telhado". Além dis­so, também está em discussão fatiar o Fun­presp em três fundos, um para cada Poder.
Schwarzer, da OIT, critica as du­as alterações em negociação e recorda os princípios que nortearam a discus­são técnica. "A terceirização da ges­tão afastaria o risco de a administra­ção dos recursos sofrer pressão políti­ca. Assim como é equivocado criar três institutos. Seria como repetir o erro histórico do passado, aliá, de toda a América Latina, que fragmentou o sis­tema previdenciário, abrindo espaço para os tratamentos diferenciados."


Luiz Antonio Cintra – Editor de economia da Carta Capital – 27.11.2011

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O preconceito e a mediocridade


o que permanece espantosamente vivo, ainda hoje, é a consciência preconceituosa, nuançada, mas eficaz politicamente. imputa-se facilmente aos pobres, de um modo ou outro, toda sorte de incompetência moral e é ela que legitima as pessoas superiores a dirigir-lhes a vida em todos os sentidos.

Walquiria Leão Rego
A pobreza sempre despertou sentimentos ambíguos e complexos. De um lado, por ser fonte de enormes preconceitos e estereótipos de parte das ditas elites. De outro, por indicar aos mais sensíveis que algo vai mal na sociedade. Contudo, na maioria das vezes, sua miopia ética e política opera invertendo a realidade dos pobres, pois os transforma em culpados de sua situação, partem da premissa de que todos os homens são autores de seu próprio destino, logo, a pobreza torna-se uma espécie de escolha existencial.
Os modos de no referirmos a esse sofisma barato variam muito e todos acreditam que sabem das razões da pobreza. Entretanto, o que permanece espantosamente vivo, ainda hoje, é a consciência preconceituosa, nuançada, mas eficaz politicamente. Ou seja, imputa-se facilmente aos pobres, de um modo ou outro, toda sorte de incompetência moral e é ela que legitima as pessoas superiores a dirigir-lhes a vida em todos os sentidos.
Por isso, a doação de cestas básicas faz tanto sucesso entre as classes média e alta, pois se determina nela o “consumo adequado”. Transferência pública de dinheiro é condenável como dano social, pois estimula a vagabundagem e a irresponsabilidade com a vida. Viviana Zelizer, socióloga norte-americana, mostra bem em seus trabalhos como é antiga a posição que rejeita veementemente a transferência pública de dinheiro, percebeu-a inclusive fortemente no interior das organizações de assistência aos pobres. Em suma, os caridosos manifestaram ao longo da história incompreensão total da importância do dinheiro como renda para permitir o desenvolvimento da liberdade e da autonomia dos indivíduos.
Nossas pesquisas demonstram que os pobres não pensam assim. Dona Amélia, da cidade de Pasmadinho, no Vale do Jequitinhonha, fala claramente: “A gente tem mais liberdade no dinheiro”
Por que tem mais liberdade?
“Porque a gente pode comprar mais o que quer, né? Porque o marido também tem mais liberdade, mas se vai comprar ele compra o que quer, e se for eu, compro o que eu quero.”
Infelizmente, a fala preconceituosa continua a repetir seus dogmas seculares. Os pobres são incapazes de razão prudencial, vão gastar o dinheiro inutilmente, pois não sabem consumir adequadamente os bens necessários à sua sobrevivência. Apenas se devem doar vales devidamente destinados a determinado bem, ou alimentos, remédios e roupas. Ao Estado, fundamentalmente, cabe discipliná-los. Por tudo isso, pesa sobre os pobres uma carga imensa de humilhação e sofrimento que acaba por transformá-los em pessoas destituídas de muitas das capacidades humanas, reclamadas exatamente pelos que as exploram e estigmatizam.
Há outra visão da questão: a pobreza é fruto de injustiças e desigualdades sociais iníquas. Se ela é socialmente produzida, pode também ser socialmente superada. Sua presença tem de ser objeto de visibilidade política e de debate público, pois sua solução não é simples. Torná-los visíveis significa resgatá-los como sujeitos humanos portadores de subjetividades diferenciadas, e por essa razão, não a única, converterem-se em objeto de políticas públicas cuidadosas e bem desenhadas, especialmente discutindo sua formulação com seus representantes legítimos.
No Brasil atual, por ocasião da entrada em vigor da política de transferência estatal de renda de grande amplitude espacial, o programa Bolsa Família, revivemos pela mídia, em artigos, cartas do leitor, e, às vezes, entrevistas de gente da universidade a repetição insistente dos velhos preconceitos. O Bolsa Família os acomodará na vida, os transformará em clientes eternos do Estado. No caso desse programa, misturaram-se em uma poção perversa os preconceitos contra os pobres e os estereótipos machistas contra as mulheres pobres, do tipo: agora elas vão se encher de filhos para não trabalhar e viver à custa do Estado.
Necessário anotar a existência nessa configuração ideológica de imputações negativas dirigidas aos pobres, às suas formas mais sutis, mas que não deixam de revelar a estrutura preconceituosa. O exemplo mais ardiloso comparece na fala “erudita” da “porta de saída” que o governo precisa criar urgentemente para essa gente, as bolsistas. Precisamos crescer economicamente, o que todos desejamos, contudo, o vício economicista persiste, ao associar crescimento econômico automaticamente com emprego e vida decente para todos. Nossa história nos desmente: tornamo-nos uma economia industrial e moderna e simultaneamente produzimos uma nação partida, habitada por brasileiros detentores de altas rendas e grandes privilégios e uma imensa maioria de pobres destituídos de quaisquer direitos.
Foi esse o saldo social da nossa grande industrialização. Não a utilizamos na construção de estruturas públicas massivas de qualidade, como boa escola pública, creches,generalização de postos de saúde, hospitais. Colocamos esses direitos inalienáveis fora de nossa gramática política e moral; destruiu-se e se tenta sempre liquidar qualquer possibilidade da expressão política organizada dos pobres. Foi o modo brasileiro de silenciá-los e assim torná los invisíveis. A renda monetária é um direito universal, confirma o direito à vida, prescrito na Constituição de 1988.
Diante disso, como exigir “portas de saída”, o que vem a ser isso? O discurso é claro, destinado àqueles que constituem, parafraseando Hannah Arendt, “povos sem Estado.” Ora, esse imenso contingente de seres humanos foi destituído de escolaridade, capacitações técnicas, cultura em sentido amplo. De nada adianta construir milhões de escolas se os professores permanecem ganhando salários vergonhosos, e também não podem se preparar para capacitar pessoas e formar cidadãos ativos.
No interior do Piauí, dona Inês nos dizia: “Dona, o cartão do Bolsa foi o único crédito que tive na vida, antes eu não tinha nada, agora os comerciantes confiam em mim. Tudo que se quer fazer na vida é com dinheiro, é pagando”.
Dona Inês entendeu bem a importância da monetarização das relações na vida social. No interior de Alagoas, no alto sertão, contou-nos um trabalhador que, quando conseguia trabalho – claro, temporário, sem nenhum direito -, ganhava menos que sua mulher recebia do Bolsa Família. Outro dizia que as jornadas de trabalho, quando apareciam, para algum bico, não conheciam limites. Então, continua a indagação: o que são as tais portas de saída celebradas pela mídia? Como as mulheres pobres, normalmente com escolaridade precária, vão ao trabalho, quando existe, se não existem creches, escolas em tempo integral para ali deixarem seus filhos? Dona Marina, do bairro de Manguba na periferia do Recife, nos disse:”Com o Bolsa agora posso ficar em casa cuidando de meus filhos; quando trabalhava, eles ficavam na rua, isso só fazia aumentar ainda mais minha aflição, pois não tenho onde deixar as crianças depois que saem da escola”.



Walkiria Leão Rego – Professora titular de sociologia da Unicamp – 07.03.2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

50 años de prisión para Videla y 15 para Bignone


Entre las 35 apropiaciones hay nombres de quienes nacieron en cautiverio y una pequeña proporción de apropiados o dados en adopción luego de ser secuestrados con sus padres. De los 35 niños, 26 recuperaron la identidad. De ellos, 20 declararon durante el juicio.

Editorial Página 12
Después de quince meses de debate el Tribunal Oral Federal 6 que integran los jueces María del Carmen Roqueta, Julio Luis Penala y Domingo Altieri condenó a los dictadores Jorge Rafael Videla y Reynaldo Benito Bignone por "sustracción, retención y ocultamiento" de hijas e hijos de desaparecidos durante la última dictadura cívico-militar, en veinte y treinta y un casos, respectivamente, y dictó 30 y 40 años de "prisión e inhabilitación absoluta" a los genocidas Antonio Vañek y Jorge "El Tigre" Acosta. En tanto, el represor Santiago Omar Riveros fue condenado a 20 años de prisión; los apropiadores Víctor Gallo e Inés Susana Colombo a 15 y 5 años, respectivamente; Juan Antonio Azic a 14 y 10 años para el médico Jorge Luis Magnacco. Además, el TOF6 definió el robo de niños como plan sistemático, producto de una práctica organizada desde la cúpula del poder militar, y fijó para el 17 de septiembre próximo la audiencia de lectura de los fundamentos de la sentencia.
A más de tres décadas de cometidos los delitos, y al cabo de dieciséis años de la denuncia original realizada por Abuelas de Plaza de Mayo, la justicia encontró a Videla penalmente "responsable por la sustracción, retención y ocultamiento de menores y la supresión de su identidad, en 20 oportunidades", la cantidad de casos ventilados en el juicio durante los últimos 15 meses.
Durante los años que llevó la investigación judicial hasta el juicio oral, se obtuvieron muchos testimonios, pero uno de los más reveladores fue el de la nieta Victoria Montenegro, cuando denunció la complicidad del fiscal Juan Martín Romero Victorica con su apropiador, el excoronel Herman Tetzlaff y su esposa María del Carmen Duartes.
Antes de la sentencia, Montenegro, que se reencontró con su familia en 2001, aseguró que "llamar a las cosas por su nombre nos va a hacer mejor a todos", en referencia a la expectativa de que el Tribunal Oral Federal 6 defina como "plan sitemático" el robo de bebés. "Este juicio cierra muchos años de lucha sostenida por parte de las Abuelas de Plaza de Mayo", sostuvo
Para la joven, que este año también recuperó los restos de su padre, gracias a la tarea del Equipo Argentino de Antropología Forense, el significado de alcanzar justicia "sirve para reparar heridas, aunque sabemos que falta mucho más, sabemos que forma parte de la batalla cultural que estamos dando".
Entre las 35 apropiaciones hay nombres de quienes nacieron en cautiverio y una pequeña proporción de apropiados o dados en adopción luego de ser secuestrados con sus padres. De los 35 niños, 26 recuperaron la identidad. De ellos, 20 declararon durante el juicio.
Las abuelas y familias siguen buscando a los que faltan; sus nombres ayer quedaron escritos a modo de marca en una gacetilla que distribuyó Abuelas de Plaza de Mayo por la sentencia: son Guido Carlotto, Ana Libertad Baratti De la Cuadra, Clara Anahí Mariani Teruggi; el/la hijo/a de Gabriela Carriquiriborde y Jorge Repetur; Martín Ogando Montesano; Victoria Petrakos Castellini; la hija de María Moyano y Carlos Poblete y la hija de Ana Rubén y Hugo Castro que “continúan viviendo con una identidad falsa”.
Editorial Página 12 – 05.07.2012



Un fallo con elogios y también críticas

REPERCUSIONES POR LAS CONDENAS A NUEVE REPRESORES POR EL PLAN SISTEMATICO DE APROPIACION DE NIÑOS.

Editorial Página 12
 “Consideramos que hemos alcanzado justicia con la condena histórica de 50 años de prisión” al dictador Jorge Rafael Videla, señaló Abuelas. Abel Madariaga anunció que apelará la pena que recibió la apropiadora de su hijo.
Abuelas de Plaza de Mayo celebró la “sentencia histórica” por el plan sistemático de apropiación de menores durante la dictadura, causa que comenzó a impulsar formalmente hace 16 años, aunque admitió que le queda “un sabor amargo” por las bajas penas que recibieron los apropiadores de Francisco Madariaga Quintela. Su padre, Abel Madariaga, secretario del organismo, anunció que apelará el fallo del Tribunal Oral Federal Nº 6 que sentenció con quince años de prisión al apropiador Víctor Gallo, ex capitán del Batallón de Inteligencia 601, y a cinco años de cárcel a su mujer, Susana Colombo. “Me robaron a un hijo durante 32 años y le dieron cinco años a la apropiadora”, resumió Madariaga para explicar su disconformidad. La sentencia fue celebrada mediante comunicados por H.I.J.O.S. Córdoba, Amnistía Internacional y la agrupación Kolina.
“Un tribunal de la democracia condenó a algunos de los mayores responsables” del plan sistemático y “reconoció que hubo una ‘práctica sistemática y generalizada de sustracción, retención y ocultamiento de menores en el marco de un plan general de aniquilación’”, celebró Abuelas. “Consideramos que hemos alcanzado justicia con la condena histórica de 50 años de prisión” a Videla, aunque “entendemos que otros represores no fueron sancionados de acuerdo con la magnitud de los crímenes gravísimos que cometieron y que aún perduran en el ocultamiento de la verdadera identidad de casi 500 hombres y mujeres que continúan siendo esclavos del alma”, explicó. Repudió las “bajas condenas” a Gallo y Colombo, y advirtió que “seguiremos exigiendo que los apropiadores sean considerados autores de delitos de lesa humanidad y reciban penas más severas”.
Abel Madariaga, quien recién dos años atrás pudo encontrar a su hijo Francisco, dijo que “en forma global (el fallo) fue ejemplar”, pero cuestionó la condena a cinco años a Colombo porque “me robaron a un hijo durante 32 años”. “Pudimos probar que hubo robo de bebés, que nacieron en Campo de Mayo y en la ESMA, y que no fueron a parar a cualquier lugar sino que fueron apropiados por integrantes del Batallón de Inteligencia 601”, señaló. “Trabajamos 16 años para demostrar esto (el plan sistemático), porque en el Juicio a las Juntas se había dicho que no se podía hablar de robo sistemático de bebés”, remarcó.
H.I.J.O.S. Córdoba valoró que “a 35 años de cometidos los más de 500 robos de bebés, por fin la Justicia condenó a los máximos responsables” y calificó las condenas de “ejemplares”. “Este juicio fue posible gracias a las Abuelas, que lograron transformar su incansable lucha por restituir la identidad a esos niños, hoy jóvenes, en un reclamo de toda la sociedad”, remarcó la entidad. Recordó que los niños, “después de ser separados de sus familias, eran entregados a amigos y conocidos de militares y policías, o criados por los propios asesinos de sus padres biológicos, con la connivencia de la Justicia y de sectores de la Iglesia Católica”. “En la Argentina se implementó desde el Estado un plan sistemático de robo de bebés. El objetivo era sustraerles su identidad, negándoles saber quiénes eran, quiénes fueron sus padres y que toda una familia los estaba buscando”, sintetizó, y valoró como “inédito” que el fallo ordene ampliar las investigaciones en torno del ex capellán de la Armada y secretario del vicario castrense, Emilio Grasselli, y a ex miembros del “Movimiento Familiar Cristiano que habrían intervenido en hacer posible estos delitos”.
Amnistía Internacional calificó el fallo como “un paso histórico hacia la justicia”. Se trata de “un paso muy significativo en el camino emprendido por la Argentina para juzgar a los responsables de las graves violaciones a los derechos humanos durante el último régimen militar”, sostuvo en un comunicado, y llamó al Estado a “continuar avanzando en las investigaciones para que recuperen su verdadera identidad las personas que, al día de hoy, todavía siguen siendo víctimas de estos delitos”. “La condena contra Videla y Bignone demuestra que nadie está por encima de la ley”, afirmó Mariela Belski, directora de Amnistía en el país. Kolina, la agrupación de la ministra Alicia Kirchner, destacó que la sentencia “se debe a la inclaudicable búsqueda de las Abuelas de Plaza de Mayo, al apoyo incondicional de las organizaciones de derechos humanos y a la política de Estado iniciada por el compañero Néstor Kirchner y profundizada por la compañera Cristina Fernández de Kirchner”.


Editorial Página 12 – 07.07.2012