sábado, 17 de outubro de 2015

'A América Latina começou uma nova história, que eu considero irreversível'


Enrique Dussel – “Começou a tomar consciência de que pode deixar de ser colônia. E esta primavera política, a dos governos populares, é a segunda emancipação. As revoluções de 1800 foram o primeiro movimento: uma quase independência política, militar, mas não mental,  histórica e nem cultural. E entramos em um neocolonialismo do qual não saímos. Pela primeira vez na América Latina, de (Hugo) Chávez em diante, começa a ser levado a sério o tema de que seremos iguais aos Estados Unidos e Europa em um ou dois séculos de história. Não será em cinco dias, será um processo. Agora, também estamos caminhando com força porque já temos uma consciência nova, que não se cria por gênios teóricos, mas, ao contrário, é fruto de um processo e de uma história. Que eu possa dizer isto é resultado de que a América Latina está em outro nível de consciência. É a primeira vez que a ‘esquerda’, com muitas aspas, ou os progressistas começam a tentar fazer algo diferente “.


Astrid Pikielny
“Minha terra natal é a Argentina, a outra é o Brasil, mas a pátria grande é a América Latina. Sou um latino-americanista”, disse Enrique Dussel (foto), pausadamente, em seu tom híbrido, no qual ainda restam traços do mendocino (Mendoza, Argentina) que alguma já teve. 
Filósofo argentino radicado, há quarenta anos, no México, Dussel deixou seu país natal duas vezes. A primeira foi após passar pela Universidade de Cuyo. Ficou 10 anos na Europa e seu pensamento crítico do eurocentrismo, afirmou, fez com que se sentisse um estrangeiro em todas as partes: “A maioria dos professores ainda são absolutamente eurocêntricos e em filosofia são helenocêntricos. Acreditam que a filosofia nasceu em Atenas e os próprios Heródoto, Platão e Aristóteles dizem que nossa filosofia surgiu no Egito”. 
Voltou à Argentina em 1968 e viajou por toda a América Latina. Nos anos 1970, junto com outros intelectuais argentinos, fundou a Filosofia da Libertação. Esse movimento comprometido com a emancipação dos oprimidos e relacionado com a Teologia da Libertação, que começou uma reforma universitária em Mendoza, com programas de estudo de filosofia mundial não eurocêntrica, fez com que ele se tornasse alvo de ameaças e perseguições. “No dia 3 de outubro de 1973, colocaram uma bomba em minha casa e começou a perseguição contra nós. Depois, quando veio a intervenção de Oscar Ivanissevich, em março de 1975, retiraram-me da universidade e fiquei desprotegido”.
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Astrid Pikielny – 23.08.2015.
Enrique Dussel – Filósofo argentino.
IN Carta Maior (publicado originalmente no La Nación, trad. CEPAT).


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ajuste em meio à recessão é contraproducente



Pedro Paulo Zahluth Bastos “Não é verdade que o ajuste não foi contracionista, o impacto é imediato. Imagina você tirar 1% do PIB esperado, que foi o que eles fizeram até maio, concentrado em quatro meses. Não tem nenhum economista que tenha a cara dura de dizer que isso não tem impacto contracionista. E a partir desse 1% cortado, o que o consumidor, investidor pretendiam gastar é reduzido. Então tem um efeito multiplicador e é por isso que a economia vai contrair mais de 2%.
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Continuam incorrendo no mesmo erro. Graças à recessão, haverá um corte de arrecadação duas vezes maior do que o que eles haviam esperado economizar”.

Ligia Guimarães
Em novembro,de 2014, o professor associado do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos, liderou um manifesto de economistas heterodoxos em apoio à presidente eelita. Dilma Roussef. Na petição, assinada por nomes como o do seu orientador de doutorado, Luiz Gonzaga Belluzzo, e pela economista Maria da Conceição Tavares, o grupo se opunha às propostas de austeridade fiscal defendidas, até então, por economistas e interlocutores do governo e da oposição. O argumento era que o corte de gastos seria um 'tiro no pé' porque desencadearia cenário que tampouco agradaria às agências de risco: levaria o país a uma profunda recessão, reduziria ainda mais a arrecadação de impostos e acabaria de derrubar o ânimo dos investidores.
Em fevereiro, decepcionado com as medidas que vieram com a nova equipe econômica, o economista veio a público em uma "revolta heterodoxa" para criticar a reviravolta de Dilma rumo à ortodoxia, comandada pelo ministro Joaquim Levy. À época, Bastos defendia que o governo comunicasse, com transparência, o abandono da meta de superávit primário de 1,2%, que teria sido baseada em projeções exageradamente otimistas de crescimento e arrecadação.
Em julho, a equipe econômica anunciou a redução da meta fiscal para esforço de 0,15%, seguida de corte adicional de R$ 8,6 bilhões no Orçamento. Para Bastos, a mudança na meta reflete a reação do governo à "resistência política" com que o ajuste foi recebido, mas ainda não é suficiente. "Os cortes que eles fizeram e continuam fazendo já são maiores do que era previsto e não houve reversão. Ajuste fiscal em meio à desaceleração é contraproducente". A seguir, os principais trechos da entrevista: 
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Para continuar a leitura – e ler toda a entrevista -, acesse http://www.valor.com.br/brasil/4166958/ajuste-em-meio-recessao-e-contraproducente






Pedro Paulo Zahluth Bastos – Economista e Professor da Unicamp.
Ligia Guimarães – 06.08.2015.
IN Valor Econômico, ed. impressa.

domingo, 11 de outubro de 2015

Crise humanitária na Europa: entre contradição e hipocrisia


é urgente a concretização de uma política efetiva de Burden-Sharing, em que os países compartilhem o ônus da ajuda humanitária aos imigrantes. Até agora, o que se tem visto é a profunda contradição entre os valores basilares da constituição do bloco europeu e uma realidade de violência e omissão.

Laís Azeredo
A Europa há décadas tornou-se um destino visado por imigrantes, tanto para os que procuram trabalho e melhores condições, quanto para os que não têm outra opção para salvar suas vidas.
Os países do continente lidam com os fluxos migratórios de acordo com suas demandas e seus interesses. Quando convém, abrem as fronteiras e incentivam a entrada da mão de obra necessária. Quando não lhes é mais pertinente, dificultam o ingresso e a permanência regular, criminalizam as entradas irregulares e investem milhões de euros em controle fronteiriço.
Em períodos de recessão econômica, justificativa utilizada por muitos países por sua omissão na acolhida de imigrantes, o orçamento da agência de controle fronteiriço (Frontex) e do Sistema de Vigilância de Fronteiras (Eurosur) recebe significativo aumento. Em 2015, o Frontex recebeu 17,5%, passando de 97 milhões de euros para 114 milhões de euros. A maior parte desse dinheiro vai para operações conjuntas nas fronteiras marítimas. Já a EUROSUR recebeu um aumento de 5 milhões e 300 mil euros (veja aqui). A Agência para Direitos Fundamentais, por sua vez, teve seu orçamento decrescido em 1% com relação a 2014, de acordo com o documento Statement of revenue and expenditure de 2015 (veja aqui). Neste âmbito, a Operação Mare Nostrum, estruturada para ações de resgate no mar, foi substituída em novembro de 2014 pela Operação Triton, cujo objetivo primordial é o controle das fronteiras.
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Laís Azeredo – Internacionalista pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), mestre e Doutoranda pelo PPGRI San Tiago Dantas. Atua na Caritas Arquidiocesana de São Paulo e desenvolve pesquisas sobre a securitização da imigração –
IN Núcleo de Estudos e Análises Internacionais (NEAI-IPPRI-UNESP)






La falseada cuestión de los “migrantes” y refugiados que llegan a la UE


A nadie le gusta emigrar si vive en una sociedad pacífica, organizada, con una cultura incluyente y una economía al servicio de los intereses generales de la población. Esa verdad la escuchamos de las bocas de nuestros abuelos que venían de Italia, de España, de Alemania, Polonia y demás países europeos, y que llegaban a Nuestra América expulsados por la pobreza, las crisis económicas, las guerras y persecuciones religiosas, étnicas y nacionales que han jalonado la historia europea.

Alberto Rabilotta
Las reacciones que las olas migratorias de refugiados provenientes del Oriente Medio, de Siria y otros países, están causando en los países de la Unión Europea (UE) confirma que las elites europeas nada aprendieron de su propia historia pasada y reciente, y que por esa razón son incapaces de pensar y proponer soluciones a problemas cruciales que afligen y afligirán a esa región. 
Nada aprendieron estas elites de las consecuencias de las políticas coloniales e imperiales en los pueblos de los otros continentes, ni en sus propios pueblos. 
La rigidez del “patrón oro” y el liberalismo a ultranza que lanzó una rebatiña imperial y condujo a la Gran Depresión, al fascismo y a la segunda Guerra Mundial es reproducida en el euro, que está provocando depresiones económicas y disolución social en Grecia y otros países de la UE con deudas impagables. 
Tampoco aprendieron las lecciones del pasado de que no hay que coquetear con el fascismo, como muestra el apoyo (sin problema de consciencia) al régimen oligárquico-fascista en Ucrania que está llevando a cabo la política anti-rusa de Washington. 
Porque nada aprenden, para seguir la misma política, es que no quieren ver que los flujos de refugiados que llegan a las costas de Grecia o Italia, después de haber dejado una espantosa estela de náufragos y muertos en el Mediterráneo, son el producto directo de las políticas de países de la UE y de Estados Unidos (EEUU), de la creación de extremistas y fanáticos religiosos para luchar contra la Unión Soviética en Afganistán y luego en Chechenia, y muy particularmente de las agresiones militares que destruyeron a los regímenes seculares en Irak y Libia, y que están desestabilizando y destruyendo la economía y la sociedad secular en Siria. 
(...)
Para continuar a leitura, acesse http://www.rebelion.org/noticia.php?id=203058






Alberto Rabilotta – Periodista argentino-canadense – 09.09.2015
IN Rebelión.org.