segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Crise ronda emergentes e gera temor de 'volta a 1997'


Com a desvalorização acentuada das moedas do mundo emergente, inclusive do real brasileiro, resultado em parte da retirada maciça de recursos desses países, cresce o temor de que esses mercados - até então puxadores do crescimento da economia global - mergulhem em uma nova crise.

Duncan Weldon
Nos últimos dias, alguns investidores expressaram preocupação de que o mundo poderia passar por uma nova tormenta financeira, mas agora com origem nas nações menos desenvolvidas.
Na opinião deles, o paralelo mais recente seria a crise asiática de 1997-1998, quando a maior parte da Ásia mergulhou em uma profunda turbulência financeira.
Países como Tailândia, Indonésia e Coreia do Sul haviam se tornado fortemente dependentes de investimento estrangeiro. Quando essa fonte secou, essas nações foram indiscutivelmente afetadas. As moedas sofreram forte desvalorização, o desemprego explodiu e o mundo ficou apreensivo quanto a um colapso do sistema financeiro global.
No entanto, o cenário de hoje é diferente.
(...)






Duncan Weldon - Correspondente de economia do programa Newsnight – 21.08.2015
IN BBC Brasil.


sábado, 31 de outubro de 2015

A ciclovia e a retomada do espaço público


Eduardo Marques – “São Paulo é menos injusta hoje do que era há 20 ou 40 anos. O que não quer dizer que a desigualdade ou as injustiças tenham deixado de existir. Em relação à infraestrutura e os serviços públicos, deixa de haver uma questão de inexistência e passa a ser uma questão de qualidade. Isso não vale só para os serviços urbanos, mas também para os equipamentos e políticas públicas, como saúde e educação “.

Marcus Lopes
Ao assumir a Prefeitura de São Paulo em 1975, Olavo Setubal afirmou que administrar a cidade era como gerir uma Suíça e uma Biafra. De lá para cá a desigualdade social diminuiu e as periferias mudaram, em parte por causa da expansão do mercado imobiliário para as regiões periféricas, como mostra o livro "A Metrópole de São Paulo no Século XXI" (Editora Unesp). Em entrevista ao Valor, o cientista político e professor da USP Eduardo Marques, de 50 anos, organizador da obra, discute assuntos como mobilidade e adensamento urbanos e ciclovias, tema que voltou ao debate depois do atropelamento e morte de um pedestre na região central, na semana passada, e o fechamento de vias como a avenida Paulista para o lazer da população aos domingos.
Valor O livro trata da desigualdade social na metrópole. São Paulo ainda é uma Biafra e uma Suíça, como dizia Setubal?
Eduardo Marques –Não. Deixamos de aprender muito sobre as cidades se ficarmos com esses modelos polares. Há muitos grupos, espaços e processos intermediários que são importantes para entender a metrópole.
(...)






Marcus Lopes – 28.08.2015
Eduardo Marques – Cientista Político e Professor da USP.
IN Valor Econômico, ed. Impressa, caderno Eu & fim de semana.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Mais sobre o corte de Ministérios



O final do regime militar inaugura um processo de democratização política que vem possibilitando uma considerável pressão por direitos de cidadania. O aumento da capacidade dos segmentos marginalizados de defender seus interesses e reivindicar o atendimento de suas necessidades por bens e serviços – alimentação, transporte, moradia, saúde, educação, comunicação etc. – vem levando uma crescente demanda por políticas públicas capazes de promovê-lo. (...)

Nos 13 anos de governo do PT, a reorientação das políticas públicas no sentido daquele estilo de desenvolvimento é notória; como são também os resultados alcançados. (...)
 O Estado mínimo, tetraplégico e lobotomizado foi sendo recomposto. Diferentemente do que há muito ocorria, quando a reiterada resolução de agendas decisórias enviesadas segundo os interesses e valores da classe proprietária foi orientando o Estado numa direção conservadora, mantendo, legitimando e até a naturalizando o status quo, a nova coalizão de governo vem buscando transformá-lo. 


Greiner Costa e Renato Dagnino

Provocada pelo anúncio da reversão do “inchamento” da “máquina pública” que parece estar sendo aceita como condição de governabilidade, tem havido no âmbito da esquerda uma interessante discussão acerca de dois aspectos da questão: o do número de ministérios e o da sua baixa eficácia derivada da falta de interação entre eles.

Nesta contribuição que busca interlocução com o artigo “Sete dados para você não falar bobagens sobre a redução dos ministérios” de José Augusto Valente (28/08/15), em http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/7-dados-para-voce-nao-falar-bobagens-sobre-a-reducao-dos-ministerios/4/34358, trataremos em separado esses dois aspectos. E o faremos tendo como referência uma reflexão sobre o caráter do Estado capitalista e seu rebatimento sobre o caso brasileiro.

Uma das imagens mais elucidativas do conceito de Estado é o de uma “garrafa de água gelada” num dia quente e úmido. É nela (aparelho institucional, leis, prédios, pessoas) que se condensam os vapores dispersos na atmosfera (interesses e poderes de empresas, bancos, sindicatos, movimentos sociais, igrejas, mídia) transformando-se em líquido (materializando suas agendas e seus projetos políticos).

Essas gotas de vapor d’água condensado que se fixam na parede da garrafa (interface Estado-sociedade) são os arranjos (ministérios, agências, políticas, programas, carreiras, etc.) que os atores sociais, em função da relação de forças políticas têm que institucionalizar para exercer seu poder.

(...)









Renato Dagnino – Professor titular no Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp;
Greiner CostaDoutor em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp – 06.09.2015
IN Carta Maior.