segunda-feira, 14 de março de 2016

Percentual de jovens negros no ensino médio dobra em 13 anos


Mais da metade dos brasileiros de 15 a 17 anos que se autodeclaram pretos ou pardos estavam no ensino médio (51%) em 2014 (...). Em 2001, esse percentual era de 25%.

Lílian Beraldo
Mais da metade dos brasileiros de 15 a 17 anos que se autodeclaram pretos ou pardos estavam no ensino médio (51%) em 2014, segundo levantamento feito pelo Instituto Unibanco com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada na semana passada. Em 2001, esse percentual era de 25%. No mesmo período, a proporção de jovens brancos no ensino médio cresceu 14 pontos percentuais – chegando a 65%.
Em 2001, mais da metade (53%) dos alunos negros de 15 a 17 anos ainda estava estudando na primeira etapa da educação básica, ou seja, estavam atrasados em relação ao que era esperado para a sua faixa etária. Na última Pnad, o percentual caiu 21 pontos e hoje a proporção de jovens negros ainda atrasados no fundamental é de um terço (32%) - entre os brancos, esse percentual é de 22%.
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Para continuar a leitura, acesse http://m.agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2015-11/mais-da-metade-dos-jovens-negros-estao-no-ensino-medio



Lilian Beraldo – 20.11.2015
IN Agência Brasil.


Pela primeira vez, maioria dos jovens negros está no ensino médio

O levantamento considera negros todos os que declaram preta ou parda a cor de sua pele. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), no ano passado 51% da população de 15 a 17 anos nesse grupo estava no ensino médio. Dez anos antes, esse índice era de 34%.

Fábio Takahashi
Pela primeira vez, a maioria dos jovens negros conseguiu chegar ao ensino médio. Mas ainda em proporção menor do que os brancos -e os dois grupos enfrentam problemas de aprendizagem.
Os dados foram tabulados pelo Instituto Unibanco a partir de bases do IBGE e do Ministério da Educação.
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Fábio Takahashi – 20.11.2015
IN Folha de São Paulo.


sábado, 12 de março de 2016

Conflito na elite e escândalos de corrupção


Meu objetivo não é negar a existência de corrupção hoje. E muito menos comparar com níveis anteriores. Mas argumentar que a corrupção não foi inaugurada nem monopolizada pelo governo do PT. E se se pretende alguma efetividade no combate à corrupção, é preciso não tratá-la como obra de um só partido ou governo, como parece saber o povo que resiste e m ir às ruas. Por isso, "decepar", por meio do impeachment, a cabeça do que chamou de "Estado-camarão", como defende o autor citado acima, não me parece a solução para o problema. As investigações atuais começam a se estender a membros de outros partidos e de outros governos. Substituir a presidenta pelo seu vice certamente diminuiria o conflito na elite política e, consequentemente, os escÂndalos, mas é muito pouco provável que diminua a corrupção. Diminuiria também a percepção de existência de corrupção. O que  poderia ser útil, mas certamente seria falso.

Argelina Cheibub Figueiredo
Em 1994, em sua conferência no Encontro Anual da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciência Sociais), o cientista político americano Theodore Lowi expôs sua teoria sobre escândalos de corrupção. Escândalos de corrupção, disse ele, decorrem de conflitos na elite política. Afirmou ainda que escândalos de corrupção não tÊm relação com níveis de corrupção. Ou seja, o tamanho do escândalo não tem nada a ver com o tamanho da corrupção, depende do grau de dissenso na elite. Será que essa teoria se aplicaria ao caso do Brasil recente? Vejamos.
Como bem lembrou o cientista político e consultor Bolívar Lamounier no artigo “Impeachment e reforma do Estado-camarão”, em “O Estado de S. Paulo”, de 31.01.2016, “em 1958, o jurista Raymundo Faoro colocou [o] tema [do patrimonialismo] na agenda intelectual brasileira ao abordá-lo no livro ‘Os donos do Poder’ – Formação do Patronato Político Brasileiro” (Ed. Globo, 1958). Mas entre colocá-lo na agenda intelectual e conseguir que o ‘patronato político’ referido no subtítulo da obra se decida a reformar ou a desmantelar de vez tal sistema, vai evidentemente uma grande distância’. Se o conceito não é de amplo conhecimento da população, o reconhecimento da existência de práticas patrimonialistas nos governos e no estado brasileiro faz parte do senso comum. E não é de hoje.
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Argelina Cheibub Figueiredo – Professora de Ciência Política no Iesp-Uerj – 15.02.2016.
IN Valor Econômico, ed. impressa.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Um socialista à Americana? Conheça Sanders, o democrata



se existe um socialismo à americana, ele é uma combinação peculiar entre a defesa dos direitos individuais, herdados do liberalismo radical, e a perspectiva social-democrata de um Estado que garanta os direitos trabalhistas, os direitos fundamentais, como saúde e educação e assistência aos mais necessitados através de programas sociais.

Erick Reis Godliauskas Zen 
No início das primárias da eleição americana, o pré-candidato Donald Trump chamou bastante a atenção da imprensa. O bilionário midiático se destacou por vociferar frases misóginas, racistas, anti-imigrantes, anti-latinos, anti-China e anti-etc. Seu jeito espalhafatoso, cabelo engraçado e sem nenhuma noção de respeito fizeram com que suas bobagens ecoassem e despontassem como o fator mais importante das primárias. No entanto, para além da panaceia de ódio e mediocridade do pré-candidato Republicano, o fato mais relevante está do lado Democrata, com o crescimento de Bernie Sanders.
Bernie Sanders se define como um “socialista democrata”. Essa definição tem causado muita confusão, em particular no Brasil, tanto na imprensa como nas publicações especializadas. Essa dificuldade se dá, ao meu ver, pelo impressionante eurocentrismo nas Ciências Humanas no Brasil. Eurocentrismo tanto na elevada carga horária dos cursos de graduação (seja em História de Ciências Políticas, Relações Internacionais e Jornalismo), bem como na visão europeia de mundo que coloniza a nossa percepção. Com isso, o nosso conhecimento, e a produção do conhecimento, sobre Estados Unidos é muito limitado.
No que se refere às questões temáticas, em geral, os estudos sobre os EUA se dedicam à política externa americana e sua influência no Brasil e muito pouco à sociedade americana (a exceção são as comparações entre escravismo no Brasil e nos EUA). Como resultado, não dispomos de muitos analistas que tenham instrumentos intelectuais adequados para interpretar a sociedade e a política americana e, quando o fazem, utilizam instrumentos e paradigmas europeus para a análise ou se colocam mais no papel de tradutores do que de intérpretes.
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Erick Reis Godliauskas Zen - Doutor e Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) – 11.02.2016.
IN Núcleo de Estudos e Análises Internacionais (NEAI).



Para tirar a esquerda do marasmo


SANDERS TEM SUAS LIMITAÇÕES, ESPECIALMENTE O FATO DE QUE SEU APELO PARA MINORIAS RACIAIS E ÉTNICAS PARECE LIMITADO. MAS TEM SIDO BEM SUCEDIDO EM FORÇAR O DEBATE PÚBLICO SOBRE A DESIGUALDADE DE RENDA. ELE EMPURRA O DISCURSO DE HILLARY PARA A ESQUERDA, JÁ QUE ELA BUSCA RECUPERAR ELEITORES POTENCIAIS DE SEU OPONENTE. SEJA QUAL FOR O RESULTADO FINAL DA CONVENÇÃO DO PARTIDO DEMOCRATA, SANDERS CONSEGUIU MUITO MAIS DO QUE QUASE TODOS PREVIRAM NO INÍCIO DE SUA CAMPANHA. ELE FORÇOU, NO MÍNIMO, UM SÉRIO DEBATE SOBRE PROGRAMA, NO PARTIDO DEMOCRATA.

Immanuel Wallerstein 
Quanto Bernie Sanders anunciou que disputaria a indicação pelo Partido Democrata à presidência dos EUA, pouca gente o levou a sério. Hillary Clinton parecia ter tanto apoio que sua escolha parecia garantida sem dificuldades.
Contudo, Sanders persistiu em sua busca aparentemente utópica. Para surpresa da maioria dos observadores, o tamanho de sua audiência em encontros que se espalharam pelo país passou a aumentar de modo consistente. Sua tática essencial era atacar as grandes corporações. Ele lembrava que elas usam seu dinheiro para controlar decisões políticas e anular o debate sobre o abismo crescente entre os muito ricos e a vasta maioria do povo americano, que perde renda real e empregos. Para enfatizar sua posição, Sanders recusou-se a receber dinheiro de grandes doadores e arrecadou fundos apenas de indivíduos que doam pequenas quantias.
Ao fazer isso, Sanders tocou num veio profundo do descontentamento popular, não apenas entre aqueles que estão na base da pirâmide de renda mas da assim chamada classe média, que teme estar sendo levada para o fundo do poço. Agora, as pesquisas mostram que Sanders ganhou apoio suficiente para atuar como um sério oponente a Clinton.
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Immanuel Wallerstein – Professor na Universidade de Yale e autor de dezenas de livros – 03.02.2016.
In Outras Palavras.