sábado, 12 de novembro de 2016

Laval y Dardot: “El neoliberalismo es una forma de vida, no sólo una ideología o una política económica"


Pierre Dardot – “el neoliberalismo es mucho más que un tipo de capitalismo. Es una forma de sociedad e, incluso, una forma de existencia. Lo que pone en juego es nuestra manera de vivir, las relaciones con los otros y la manera en que nos representamos a nosotros mismos. No sólo tenemos que vérnoslas con una doctrina ideológica y con una política económica, sino también con un verdadero proyecto de sociedad (en construcción) y una cierta fabricación del ser humano. 
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Ahora cada cual está llamado en adelante a concebirse y conducirse como una empresa, una “empresa de sí mismo” como decía Foucault.
Ser “empresa de sí” significa vivir por completo en el riesgo, compartir un estilo de existencia económica hasta ahora reservado exclusivamente a los empresarios. Se trata de una conminación constante a ir más allá de uno mismo, lo que supone asumir en la propia vida un desequilibrio permanente, no descansar o pararse jamás, superarse siempre y encontrar el disfrute en esa misma superación de toda situación dada. Es como si la lógica de acumulación indefinida del capital se hubiese convertido en una modalidad subjetiva. Ese es el infierno social e íntimo al que el neoliberalismo nos conduce”.

Amador Fernández-Savater, Marta Malo e Débora Ávila
¿En qué consiste el neoliberalismo? ¿Se puede aún pensar como aquella ideología que hace del “menos Estado” su característica principal? ¿Cómo extiende e impone una determinada forma de organizar el mundo y la vida que hace de la competencia la norma universal de los comportamientos? ¿Cómo se puede resistir, subvertir, salir de sus coordenadas?
El penúltimo libro de los intelectuales franceses Christian Laval (sociólogo) y Pierre Dardot (filósofo) retoma los planteamientos de Michel Foucault y emprende una ambiciosa reconstrucción de la historia y el presente de lo que ellos llaman lanueva razón del mundo. Y en el último, Commun (que será publicado por Gedisa a lo largo del año), analizan las luchas que proliferan hoy en día por todas partes y proponen “lo común” como el término central de una alternativa política para una revolución del siglo XXI. Común tiene todas las trazas de convertirse en una referencia mayor en el debate político de los próximos años, algo como en su día pudo ser Imperio de Toni Negri y Michael Hardt.
A la luz de la coyuntura actual, donde el significado de palabras como “poder” o “ganar” tiene tanta importancia, Marta Malo, Débora Ávila (investigadoras, activistas y amigas) y yo mismo les preguntamos por algunas cuestiones fundamentales que abordan ambos libros: la diferencia entre poder político y “gobierno”, la naturaleza indisociable del neoliberalismo como política macro y micro (planes de ajuste y a la vez producción de formas de vida) o la necesidad política de encontrar una vía alternativa entre la “toma del poder” y la fuga hacia una sociedad paralela.

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Christian Laval – Sociólogo francês; Pierre Dardot – filósofo francês.
Amador Fernández-Savater, Marta Malo e Débora Ávila – 10.10.2014.
In El Diário (Espanha).


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sobre a ameaça de desglobalização


Desde 2012, o comércio global cresce 3% ao ano, menos da metade da taxa dos 30 anos anteriores.


Simon Nixon
Um dos principais quebra-cabeças da economia global no momento é a desaceleração do comércio. Desde 2012, o comércio global cresce 3% ao ano, menos da metade da taxa dos 30 anos anteriores.
Entre 1985 e 2003, ele avançou a um ritmo duas vezes mais rápido que o produto interno bruto global. Nos últimos quatro anos, ele mal conseguiu manter o passo, segundo o Fundo Monetário Internacional. E essa desaceleração tem sido generalizada, afetando tanto países desenvolvidos como os emergentes, o comércio tanto de serviços como de bens.
A Organização Mundial do Comércio agora prevê que o comércio mundial crescerá apenas 1,7% este ano, a primeira vez em 15 anos que seu crescimento será menor que o da economia mundial.

Essa desaceleração é preocupante pelo que ela pode provocar no longo prazo na saúde da economia global. A globalização das últimas décadas tem sido um grande condutor da elevação do padrão de vida no mundo. Os cidadãos dos países desenvolvidos se beneficiaram da queda dos preços e os das economias emergentes se beneficiaram de empregos com salários.
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Simon Nixon – 10.10.2016.
In Valor Econômico [ originalmente em The Wall Street Journal, de Londres].

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

‘‘As forças políticas perderam a noção’’


André Singer – “Eu não diria que esteja no horizonte um fechamento completo. Não vejo nenhum risco de cairmos numa situação ditatorial, mas há sérias ameaças sobre a qualidade, a profundidade, as características da democracia brasileira. A democracia brasileira avançou bastante no período pós-Constituição de 1988. Surgiu um avanço democrático importante nos anos seguintes. Na sequência, antes mesmo do impeachment temos essa situação complicada de uma operação anticorrupção que se vale do arbítrio. A Lava Jato tem que continuar, ela é importante. No seu conjunto, ela é positiva e necessária, mas vem se valendo de decisões arbitrárias, que colocam em risco os direitos individuais“.

Luiza Villaméa
Cientista político e professor da Universidade de São Paulo, André Singer é conhecido por produzir análises acuradas sobre o cenário nacional. No momento em que o País anda convulsionado pela Operação Lava Jato e as urnas ajudaram a consolidar a onda conservadora que se insinuava desde as eleições de 2012, Singer acredita estar diante de um retrocesso social com ameaças à democracia. “Não vejo nenhum risco de cairmos numa situação ditatorial, mas há sérias ameaças sobre a qualidade, a profundidade e as características da democracia brasileira”, diz, referindo-se ao processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff e à operação que tem o PT como alvo preferencial. “A Lava Jato tem de continuar. No seu conjunto, é positiva e necessária, mas estou convencido de que ela vem se valendo de decisões arbitrárias, que colocam em risco os direitos individuais.”
Na opinião de Singer, apesar da gravidade do momento, que tem como pano de fundo um sistema de financiamento eleitoral repleto de vícios, os dirigentes políticos brasileiros não estão agindo à altura da situação: “As forças políticas perderam a noção da gravidade do que está acontecendo. O momento precisa ser encarado com muita responsabilidade”. Porta-voz do governo Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2007, Singer acredita que o ex-presidente tem capital político maior do que o partido criado em fevereiro de 1980: “Ele alcançou uma dimensão que, aconteça o que acontecer, continua sendo a peça-chave”. Para o cientista político, a saída para a esquerda brasileira, no futuro imediato, passa por duas iniciativas, ambas “difíceis”: a formação de uma frente “ampla, democrática e republicana” e a retomada dos trabalhos de base.
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Para continuar a leitura e ler a entrevista, acesse http://brasileiros.com.br/2016/10/forcas-politicas-perderam-nocao/







Luiza Villaméa – 21.10.2016.
André Singer – Cientista Político, professor da USP.
IN Revista Brasileiros.