segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Brazil’s Corrupt Congress Protects its Bribe-Drenched President, Finalizing Elites’ Two-Year Plot


Aside from showing the world the pulsating, deep-seated, still-metastasizing sickness that lies at heart of Brazil’s political class – what kind of ruling class decides to leave in place a President caught on tape endorsing bribes? – yesterday’s vote also forever dropped the mask on the real reasons why Rousseff was impeached.
Contrary to the deceitful script created and relentlessly disseminated by the highly-paid, glittery propagandists employed by the country’s incestuous, oligarchical media, her impeachment had two, and only two, motives: 1) protect Brazil’s political class from the corruption investigation by empowering the capital’s most corrupt figures and letting them kill the investigation, and 2) serve the interests of domestic plutocrats and international finance by “reforming” social programs for the nation’s poorest in the name of “austerity.”


Glen Greenwald
Just over a year ago, in Brasília, one of the most nauseating and humiliating political spectacles I’ve ever seen took place over nine hours. In Brazil’s lower House – a body where a majority of members are implicated in corruption investigations – one dirty, shady cretin after the next stood up in front of television cameras and flamboyantly declared that their conscience, their religion, their God, their children, their devotion to Jerusalem, the memory of their mother, their pastor, the purity of their soul demanded that they punish corruption by removing the elected President, Dilma Rousseff, from office.
Just imagine the most extreme, primitive cartoon version of a gleefully hypocritical moralizer – a preacher who leaves his weekly whorehouse orgy to go directly to Sunday church to rail against hell-bound sinners – and you’ll have a perfect vision of the majority faction that sanctimoniously paraded itself that day. The slime that oozes from their pores is palpable. These are the people who nullified a national election in, and are thus now ruling over, the planet’s fifth most populous country.
With clarifying symbolism so perfect no screenwriter could imagine it, that tawdry, vulgar sleazefest was presided over by House Speaker Eduardo Cunha (pictured, right), an organized crime boss masquerading as a legislator. Shortly after he engineered Rousseff’s removal – which the nation’s major media elites unified to pretend was motivated by earnest concern about corruption –  Cunha was sent to prison, accused of bribery, money laundering, witness intimidation, and racketeering.
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Glen Greenwald – 03.08.2017.
IN The Intercept.





Vitória 'custa' pelo menos R$ 13,2 bi

Na visão de Fabio Klein, da Tendências Consultoria, "em meio à tamanha impopularidade e à necessidade de garantir apoio legislativo contra o avanço da denúncia de corrupção", aumenta a tentação do governo para "usar recursos de poder disponíveis, dentre eles a liberação do orçamento".


Daniel Rittner e Fernando Torres
A vitória obtida ontem pelo presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados teve um custo alto para os cofres públicos e doerá no bolso do setor privado. Apenas três iniciativas de um "pacote de bondades" recente para agradar aos parlamentares - a liberação de emendas, o refinanciamento de dívidas de produtores rurais e o aumento dos royalties da mineração - somam uma conta de R$ 13,2 bilhões. O enfraquecimento político do governo também pode gerar frustrações na arrecadação federal, com um atraso na reoneração da folha de pagamento e mudanças no projeto do Refis.
Mais de 95% dos R$ 4,15 bilhões dos empenhos de emendas parlamentares ocorreram entre junho e julho. O período coincide com as vésperas da votação da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, logo em seguida, no plenário da Câmara. Nos primeiros dois dias de agosto, o , o valor empenhado supera toda a liberação de janeiro a março.
O empenho é a primeira etapa para a efetivação do gasto, quando esses valores são "carimbados". Depois, ocorrem os pagamentos. No acumulado do ano, os pagamentos somam R$ 2,04 bilhões.
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Daniel Rittner e Fernando Torres – 03.08.2017.                      
In Valor Econômico.

sábado, 12 de agosto de 2017

A nova roupa da direita


Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com um nova linguagem.

Marina Amaral
“O corpo é a primeira propriedade privada que temos; cabe a cada um de nós decidir o que quer fazer com ele”, brada em espanhol a loirinha de voz firme, enquanto se movimenta com graça no palco do Fórum da Liberdade, ornado com os logotipos dos patrocinadores oficiais – Souza Cruz, Gerdau, Ipiranga e RBS (afiliada da Rede Globo). O auditório de 2 mil lugares da PUC-RS, em Porto Alegre, completamente lotado, explode em risos e aplausos para a guatemalteca Gloria Álvarez, 30 anos, filha de pai cubano e mãe descendente de húngaros.
Gloria ou @crazyglorita (55 mil seguidores no Twitter e 120 mil em sua fanpage do Facebook) ascendeu ao estrelato entre a juventude de direita latino-americana no final do ano passado, quando um vídeo em que ataca o “populismo” na América Latina durante o Parlamento Iberoamericano da Juventude em Zaragoza (Espanha) viralizou na internet. No principal fórum da direita brasileira, Gloria e o ex-governador republicano da Carolina do Sul David Bensley são os únicos entre os 22 palestrantes, brasileiros e estrangeiros, escalados para os keynote – palestras-chave que norteiam os debates nos três dias do evento, batizado de “Caminhos da Liberdade”.
Radialista há dez anos, hoje com um programa na TV, Gloria é uma show-woman cativante. Conduz com desenvoltura a plateia formada majoritariamente por estudantes da PUC gaúcha, uma das melhores e mais caras universidades do Sul do país. “Quem aqui se declara liberal ou libertarista que levante a mão?”, pede ao público, que responde com mãos erguidas. “Ah, ok”, relaxa. Sua missão é ensinar a seus pares ideológicos como “seduzir e enamorar os públicos de esquerda” e vencer “os barbudos de boina de Che”, explica a jovem líder do Movimiento Cívico Nacional (MCN), uma pequena organização que surgiu em 2009 na Guatemala na esteira dos movimentos que pediam – sem êxito – o impeachment do presidente social-democrata Álvaro Colom.
A primeira lição é utilizar nas redes sociais o hashtag criado por ela, “república x populismo”, para superar “a divisão obsoleta entre direita e esquerda”. “Um esquerdista intelectualmente honesto tem de reconhecer que a única saída é o emprego, e um direitista do século 21, que já se modernizou, tem de reconhecer que a sexualidade, a moral, as drogas são um problema de cada um; ele não é a autoridade moral do universo”, continua, sob uma chuva de aplausos. Nada de culpa, nem moral nem social, ensina. A mensagem é liberdade individual, “empoderamento” da juventude, impostos baixos, Estado mínimo – a plataforma da direita liberal (em termos econômicos) no mundo todo: “A riqueza não se transfere, senhores, a riqueza se cria a partir da cabecinha de cada um de vocês”, diz. Da mesma maneira, Gloria rebate programas sociais de assistência aos mais pobres, política de cotas para mulheres, negros, deficientes e até mesmo a existência de minorias: “Não há minorias, a menor minoria é o indivíduo, e a ele o que melhor serve é a meritocracia”.
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Marina Amaral – 23.06.2015.
In A Pública.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

E se a classe média de Pinheiros tivesse se omitido?


A reação diante do assassinato do carroceiro em Pinheiros risca um limite no país sem limites. (...)
O que os moradores de Pinheiros que se mobilizaram perceberam, alguns de forma consciente, outros inconscientemente, é que quando a irrupção da violência acontece num bairro nobre, diante de todos, um limite foi ultrapassado. E o fato de ter sido ultrapassado demonstra o risco que hoje se corre no Brasil. Se corre há muito, mas tem se acentuado de forma acelerada desde que o voto foi desrespeitado com o impeachment sem base legal de Dilma Rousseff (PT). E se a execução em plena rua, diante de todos, também nos bairros de classe média for naturalizada, ninguém mais está a salvo. Até a mesmo a ilusão de estar a salvo, tão cara para a vida, torna-se fora de alcance. E também por isso os moradores riscaram o chão.

Eliane Brum
No Brasil em que um denunciado por corrupção segue ocupando a presidência e, para se manter no poder, rifa a Constituição e compra deputados com o dinheiro público que falta para o essencial; no Brasil em que a pauta não eleita avança numa velocidade antes nunca vista, mastigando direitos conquistados em décadas; no Brasil em que o maior líder popular da redemocratização foi condenado pela Lava Jato e seu partido se recusa a fazer autocrítica, porque acha que não deve nenhuma explicação à população sobre o fato de ter se corrompido no poder; no Brasil em que tudo isso acontece e a maioria prefere dormir no sofá (enquanto ainda o tem) a ocupar as ruas para lutar pelos seus direitos... algo transformador finalmente aconteceu.
Na quarta-feira, 12 de julho, às 18h, o catador de material reciclável Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, negro, foi executado com pelo menos dois tiros na altura do peito por um policial militar branco, de 24 anos. Ricardo tinha um pedaço de pau na mão. O PM teria mandado que baixasse, e ele não baixou. Em vez de ser imobilizado, foi assassinado. Este é o cotidiano das periferias do Brasil, determinado pelo braço armado do Estado, com a conivência da população que naturalizou o genocídio dos pobres e negros. Qual era a diferença?
Ricardo foi assassinado pela PM no bairro de classe média de Pinheiros, em São Paulo. Foi assassinado diante de moradores desacostumados com a barbárie corriqueira nas favelas. Era gente que passeava com seu cachorro, que entrava no supermercado Pão de Açúcar, que chegava ou saía de casa vinda do trabalho ou do consultório, ou indo para a yoga, a academia, encontrar um amigo. Era gente que não está acostumada a testemunhar uma execução cometida por um agente público.
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Eliane Brum – 24.07.2017.
IN El País Brasil.