sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Temer pode evitar o afastamento, mas não vai entregar o que promete


Não é impossível que Temer sobreviva, mas obter apoio parlamentar para esta agenda não sairá barato.

Marta Arretche
Três atores coletivos são fundamentais nos cálculos políticos dos governantes: o eleitorado, os empresários e o Parlamento. Governos podem sobreviver com muito baixos índices de popularidade, mas suas chances (re)eleitorais - e dos partidos que lhes dão sustentação - caem na mesma proporção.
Impessoalmente conhecido como "o mercado", o empresariado vota por meio de suas decisões de investimento. Não investindo, gera crises econômicas que afetam diretamente o bem-estar dos eleitores.
Empresários também podem financiar a deposição de governos. Em matéria publicada no Estado de São Paulo, Elsinho Mouco, marqueteiro de longa data do presidente Temer, declarou que empresários custearam as manifestações "populares e espontâneas" em favor do impeachment de Dilma.
Por fim, governos de minoria não são candidatos naturais à deposição, nem mesmo sob o parlamentarismo. Mas, aprovar legislação e sobreviver a pedidos de impeachment requerem maiorias parlamentares.
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Marta Arretche – Cientista Política e Professora da USP – 21.07.2017.
In Huffington Post Brasil.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

'Despreparada para a era digital, a democracia está sendo destruída', afirma guru do 'big data'


Martin Hilbert – “Porque a democracia representativa, como a inventaram nos EUA, é um processo de filtrar informação. Há 250 anos era impossível consultar todas as pessoas e as pessoas tampouco estavam informadas. Então os ‘pais fundadores’ da nação americana inventaram um filtro de informação que chamaram de representação: ter representantes que em seu nome deliberam e definem o que serve à sociedade. Rompemos isso completamente.
Os representantes hoje podem ter acesso a tudo o que os cidadãos fazem. E os cidadãos podem ditar a vida dos representantes, com tuítes e outros recursos. A democracia representativa não está preparada para isso.
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É preciso refletir e reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela pode facilmente se converter em ditadura da informação”.

Gerardo Lissardy 
Quando Martin Hilbert calcula o volume de informação que há no mundo, causa espanto. Quando explica as mudanças no conceito de privacidade, abala. E quando reflete sobre o impacto disso tudo sobre os regimes democráticos, preocupa.
"Isso vai muito mal", adverte Hilbert, alemão de 39 anos, doutor em Comunicação, Economia e Ciências Sociais, e que investiga a disponibilidade de informação no mundo contemporâneo.
Segundo o professor da Universidade da Califórnia e assessor de tecnologia da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, o fluxo de dados entre cidadãos e governantes pode nos levar a uma "ditadura da informação", algo imaginado pelo escritor George Orwell no livro 1984.

 

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Para continuar a leitura, acesse http://www.bbc.com/portuguese/geral-39535650




Gerardo Lissardy – 09.04.2017.
IN BBC Mundo em Nova York.


domingo, 10 de setembro de 2017

Políticos e a escolha dos membros do STF


A partir da constatação de que as maiores democracias do mundo dão a senadores, deputados e presidentes a prerrogativa de nomear integrantes de cortes supremas, como ocorre no Brasil, texto elenca antídotos à politização excessiva de tal processo. A consulta a entidades judiciais pode resultar contraproducente.

Thomaz Pereira e Diego Werneck Arguelhes
A sabatina no Senado é apenas uma etapa no processo de nomeação de um ministro para o Supremo Tribunal Federal. Mas é um momento decisivo para a sociedade.
Entre conversas reservadas, negociações e sondagens informais e a votação secreta no Senado, a sabatina é o único momento público do processo. Nela transbordam as dúvidas, esperanças e, especialmente, os interesses que permeiam a nomeação de um(a) ministro(a) para o STF.
Na sabatina de Alexandre de Moraes, estava em jogo um problema que transcendia a sua própria indicação para a vaga de Teori Zavascki. Por que aceitar um sistema em que o presidente indica e os senadores aprovam alguém que poderá ser o juiz deles próprios?
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Thomaz Pereira e Diego Werneck Arguelhes – Professores da FGV RJ – 05.03.2017.
IN Folha de São Paulo.