sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Bem-formada, nova geração chega mal-educada às empresas, diz filósofo


Mário Sérgio Cortella – “A perturbação vem de um sonho que se distancia no cotidiano. No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato.
(...)
A atual geração de pais e mães que têm filhos na faixa dos dez, doze anos, é extremamente subordinada. Como há por parte dos pais uma ausência grande de convivência, no tempo de convivência eles querem agradar. É a inversão da lógica. Eu queria ir bem na escola para os meus pais gostarem, não era só uma obrigação.
Essa lógica faz com que, quando o jovem vai conviver com um adulto que sobre ele terá uma tarefa de subordinação, na escola ou trabalho, haja um choque. Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada”.

Ingrid Fagundez
Na introdução de seu novo livro, o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella coloca em poucas palavras o questionamento central da obra Por que fazemos o que fazemos?. Lançada em julho, ela trata da busca por um propósito no trabalho, uma das maiores aflições contemporâneas.
Em entrevista à BBC Brasil, Cortella, também doutor em Educação e professor, fala como um mundo de múltiplas possibilidades levou as pessoas a negarem ser apenas uma peça na engrenagem.
O filósofo explica como a combinação de um cenário imediatista, anos de bonança e pais protetores fez com que a "busca por propósito" dos jovens seja muitas vezes incompatível com a realidade.
"No dia a dia, eles se colocam como alguém que vai ter um grande legado, mas ficam imaginando o legado como algo imediato."
(...)

Para continuar a leitura, acesse http://www.bbc.com/portuguese/geral-36959932?ocid=socialflow_facebook

 

 

 



 

 

Ingrid Fagundez – 03.08.2016
Mário Sérgio Cortella – Filósofo e escritor.
IN BBC Brasil.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Aid in reverse: how poor countries develop rich countries


New research shows that developing countries send trillions of dollars more to the west than the other way around. Why?

Janon Hickel
We have long been told a compelling story about the relationship between rich countries and poor countries. The story holds that the rich nations of the OECD give generously of their wealth to the poorer nations of the global south, to help them eradicate poverty and push them up the development ladder. Yes, during colonialism western powers may have enriched themselves by extracting resources and slave labour from their colonies – but that’s all in the past. These days, they give more than $125bn (£102bn) in aid each year – solid evidence of their benevolent goodwill.
This story is so widely propagated by the aid industry and the governments of the rich world that we have come to take it for granted. But it may not be as simple as it appears.
The US-based Global Financial Integrity (GFI) and the Centre for Applied Research at the Norwegian School of Economics recently published some fascinating data. They tallied up all of the financial resources that get transferred between rich countries and poor countries each year: not just aid, foreign investment and trade flows (as previous studies have done) but also non-financial transfers such as debt cancellation, unrequited transfers like workers’ remittances, and unrecorded capital flight (more of this later). As far as I am aware, it is the most comprehensive assessment of resource transfers ever undertaken.
(...)

 





Janon Hickel – Antropólogo da London School of Economics – 27.01.2017.
In The Guardian.


domingo, 17 de setembro de 2017

“O teto de gastos vai ferir de morte o SUS”


Ronald Ferreira dos Santos – “O subfinanciamento sempre foi um problema crônico, mas será agravado pela aprovação da Emenda Constitucional nº 95, chamada de Teto de Gastos. Alguns dizem que a medida vai congelar os dispêndios públicos por 20 anos.

Não é exatamente assim. É pior. Trata-se, na verdade, de uma diminuição progressiva dos recursos destinados à saúde. Vai ferir de morte o SUS. Se a medida não for revertida, podemos desistir da ideia de um sistema único.

(...) O Brasil investe, atualmente, 3,8% do PIB de dinheiro público na saúde. A atividade econômica do setor, incluídos os gastos privados, varia de 8,5% a 9% do PIB. No decorrer dos 20 anos, o porcentual dos gastos públicos vai cair de 3,8% para menos de 1% do PIB”.


Sérgio Lírio
Em 2018, 0 SUS completa 30 anos. Apesar da falta de recursos, das crises recorrentes, da escassez de profissionais e de problemas de financiamento, o Brasil conseguiu erguer em poucas décadas o maior sistema público de saúde do planeta, feito notável para uma nação que tem dificuldades para desenvolver políticas de longo prazo.
O que seria motivo de orgulho se tornou mais um ponto de preocupação. O SUS, afirma Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde, corre o risco de não passar de 30 anos, por conta de emenda constitucional que limita os gastos públicos nas próximas duas décadas.
Se a medida não for revertida, alerta Santos, o investimento público no setor despencará de 3,8% do PIB para menos de 1%. “Será a morte do sistema estabelecido na Constituição de 1988”.
(...)









Sérgio Lírio – 03.08.2017.
Ronald Ferreira dos Santos – Presidente do Conselho Nacional de Saúde.
IN Carta Capital.