terça-feira, 15 de outubro de 2013

Deputado profissional


Ao contrário do mito, parlamentares entram no congresso com experiência.

Josélia Aguiar
Na grande imprensa costuma-se afirmar que o Parlamento brasileiro é prejudicado pela presença de forasteiros, gente com pouca ou nenhuma experiên­cia na política: cantores, pastores, atores, apresentadores de TV, jogadores de futebol, capazes de ganhar votos para depois “desaparecer”. Ainda segundo esse consenso, há outros tantos políticos novatos que são eleitos e depois usam a cadeira do Legislativo como trampolim, pois preferem cargos em municípios e estados, e logo que podem deixam a Casa quando surge uma oportunidade. Ao cruzar, porém, dados referentes à circulação na Câmara dos Deputados entre 1946 e 2007, a cientista política Mayla Di Martino encontrou resultados bastante diferentes: no Brasil predomina o político profissional, e o que parece um entra e sai é, ao contrário, parte de uma estratégia de longo prazo para justamente se manter na carreira, como ela analisa em A política como profissão, sua tese de doutorado em ciência política defendida recentemente na Universidade de São Paulo orientada por Fernando Limongi.
“Para ocupar uma cadeira no Legislativo nacional é preciso ter entrado no jogo da política e ter tido algum sucesso nele. É preciso se tornar um profissional, ter vencido eleições ou ter assumido cargos políticos indicados”, afirma a pesquisadora. Nos últimos 15 anos, segundo ela, os chamados novatos que entraram na Câmara dos Deputados venceram, em média, anteriormente pelo menos duas eleições para outros cargos políticos e 80% deles tiveram algum tipo de experiência política prévia.
À primeira vista, no entanto, há dados que parecem sugerir que o senso comum está certo. Como explicar por que apenas a metade dos deputados, em média, se reelege? A comparação com os Estados Unidos aumenta o contraste: lá são reeleitos 90% dos deputados. No Brasil, também é elevado o número de deputados que interrompem o mandato antes de sua conclusão. A maioria se licencia para ocupar uma vaga de ministro de Estado ou de secretário em governos estaduais. Há um percentual que abandona os dois últimos anos da legislatura: em média, desde 1986, 17% de todos os deputados que chegaram ao Parlamento disputaram uma eleição para prefeito enquanto estavam na cadeira de deputado. Para um parlamentar americano, é impensável trocar uma cadeira em Washington por uma de prefeito.
A aparente “desistência” do deputado brasileiro, no entanto, tem explicação de longo prazo, diz Mayla Di Martino, exigências da complexa vida política brasileira. “O sentido da carreira política no Brasil não é ilógico, não está situado de ponta cabeça, como fazem crer alguns estudiosos. Se o deputado abandona a cadeira em Brasília, é porque os caminhos que ele tem de trilhar para continuar crescendo na vida pública são tortuosos. Muitas vezes é preciso voltar para uma função regional como meio para prosseguir na carreira política nacional. Isso tem a ver com a estrutura do recrutamento político para o Parlamento, que, desde sempre, foi muito regionalizado, ou seja, muito dependente dos interesses e das eleições locais”, explica.
Quanto à presença de forasteiros, esta pode até ser alardeada e muito notada, mas não é o padrão. Há, é claro, lugar para os fenômenos midiáticos, como apresentador de TV, locutor de rádio, cantor e até jogador de futebol, porém eles são minoria, concorda David Fleischer, Ph.D. em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB). O comum é o perfil de deputados que representam um reduto, uma microrregião, diz. “É o caso de um prefeito que vira deputado e, não raras vezes, volta a ser prefeito também”, afirma. De modo similar, o Senado recebe ex-governadores que, mais tarde, podem voltar a governar estados. Portanto, estar fortalecido em cidades e estados é fator decisivo – nem que seja elegendo alguém de confiança para os principais cargos locais.
Fabiano Santos, Ph.D. em ciência política e professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), constata que as novas pesquisas sobre o Legislativo têm de fato revelado que este tem muito mais força do que parece. “E estamos mudando para um Congresso mais profissional, dotado de assessoria extremamente bem qualificada, que tem por base de recrutamento o mérito”, avalia. Argelina Cheibub Figueiredo, Ph.D. em ciência política e também professora do Iuperj, lamenta que o senso comum ainda prevaleça. “Apesar de ser crescente o número de pesquisas sobre o Legislativo brasileiro, ainda prevalece, especialmente na imprensa, a visão caricata que dele se tem e as interpretações baseadas em fatos excepcionais, e não nos processos mais regulares.” Ela lembra que o Parlamento brasileiro já deu várias provas de maturidade. “Nós esquecemos que, apesar de todas as medidas restritivas tomadas pelo regime militar durante seus 20 anos de vigência, o Legislativo brasileiro funcionou, com a interrupção de menos de um ano em 1969, desde 1946. E durante todo esse período ele teve papel significativo no processo político, mesmo durante a ditadura, quando, restrito na sua atuação essencialmente política, se preparou de modo técnico e organizacional.”

Circulação
Se na comparação com os Estados Unidos há grandes diferenças na circulação parlamentar, a observação do que ocorre na França levou Mayla Di Martino a encontrar aproximações. Principalmente no que se refere ao “vai e vem” da carreira parlamentar, que caracteriza o Brasil. Também naquele país, no ano de 2006, por exemplo, 89% dos deputados nacionais acumulavam o mandato na Assembleia Nacional com um cargo eletivo regional ou local. “Como no Brasil, os deputados franceses também precisam manter esse elo com a política local se quiserem se manter progredindo no mercado político”, explica a cientista política.
Especialistas franceses dizem que o padrão muito regionalizado de recrutamento parlamentar na França, aliado à profissionalização dos parlamentares, levou a essa situação conhecida como cumul des mandats, acúmulo de mandatos. “Por ser um político profissional, o deputado francês precisa acumular recursos políticos que o mantenham progredindo na carreira: a oportunidade de acumular um cargo de prefeito com o cargo de deputado nacional traz oportunidades óbvias em termos de contato com as bases, influência perante o partido e recursos para serem usados na campanha de reeleição ao Parlamento ou na disputa por outros cargos na esfera nacional”, acrescenta a pesquisadora.
Na França como no Brasil, portanto, a procura da parte dos deputados federais por cargos no âmbito local e regional não implica a falta de importância da carreira parlamentar na esfera nacional. Trata-se de uma estratégia de parte dos deputados eleitos de dirimir riscos de derrota eleitoral em eleições futuras, em sistemas políticos multipartidários e marcados por uma alta volatilidade eleitoral. “A minha tese tenta desmistificar esse caráter excepcional que procuram atribuir ao Brasil, mostrando que os caminhos que levam ao Parlamento, por aqui, como em outros países desenvolvidos, são bastante parecidos.”
Em seu banco de dados há a trajetória individual de 4 mil deputados federais, desde 1946 até 2007 – da primeira função pública até a saída definitiva da Câmara Federal –, incluindo todas as eleições disputadas e licenças ocorridas durante a vida parlamentar. Para compreender esses números, usou uma metodologia de análise mais ampla do que a empregada em pesquisas anteriores. “Foi possível demonstrar que, apesar do aumento do número de interrupções na carreira parlamentar, para ocupar ministérios ou secretarias, ou para entrar na disputa por prefeituras, o tempo total de permanência dos deputados tem aumentado”, afirma.

Prós e contras
A restrição do acesso à própria carreira política é a consequên­cia imediata de tal profissionalização, constata Mayla Di Martino. Em lugares onde a política é dominada por profissionais, a entrada de pessoas de fora do jogo é muito restrita, e os participantes tendem a criar instrumentos para permanecer com o controle. Basta lembrar que os legisladores votam sobre inúmeros aspectos que dizem respeito à sua carreira, no interior ou no exterior do Parlamento, como, por exemplo, as regras eleitorais. “Mas é assim mesmo que tem funcionado nos países desenvolvidos, seja sob o parlamentarismo ou sob o presidencialismo. Esse também tem sido o caso do Brasil”, diz a pesquisadora.
Como efeito negativo da profissionalização, entendida com restrição da circulação nas elites políticas, constrói-se, assim, uma barreira que distancia cada vez mais os eleitos daqueles que os elegeram. Resguardados em suas posições, os parlamentares não se sentem tão obrigados a responder às demandas dos seus eleitorados. Os escândalos, assim, podem se tornar comuns e alcançam até mesmo instituições prestigiosas como o Parlamento britânico, que, em 2009, teve seus representantes flagrados usando verbas de gabinete em benefício próprio.
A capacidade organizacional dos Parlamentos é a consequência positiva da profissionalização, explica. “Estudos sobre o Congresso norte-americano indicam que parlamentares mais adaptados e experientes têm maior capacidade de aprovar leis”, explica a pesquisadora. Também naquele país existe uma carreira interna no Legislativo Federal, o que torna a vida parlamentar um objetivo em si mesma – alguns legisladores podem angariar votos, ou posições de poder junto ao seu partido, por meio de seu trabalho nas comissões parlamentares, uma vez que muitas dessas posições internas do Congresso têm prestígio e visibilidade nacional. “Isso faz com que o Congresso dos Estados Unidos seja muito ativo e autônomo perante o Executivo”, acrescenta.
Ainda não está respondido, porém, segundo ela, se a profissionalização da política parlamentar é capaz de ensejar a configuração dos Parlamentos nos moldes dos Estados Unidos, com esse modelo de carreira política interna. “Muitos especialistas gostariam de ver funcionando no Brasil um modelo parecido com o norte-americano, na esperança de que o Legislativo brasileiro seja menos dependente da agenda política ditada pelo Executivo.”
O desprestígio do Parlamento brasileiro, para David Fleischer, da UnB, está ligado não somente à sequência de escândalos que constantemente o paralisa como também ao poder reduzido que tem em relação ao Executivo. “O presidente aqui tem poderes imperiais, o que tira a autonomia das duas Casas. Pode, por exemplo, fazer mudanças no Orçamento a qualquer hora e fazer nomeações sem precisar da aprovação. Nos EUA não é assim”, pondera. Não é à toa que em pesquisas de opinião pública o Congresso brasileiro apareça como a instituição de menos confiabilidade, lembra o professor da UnB.
Fabiano Santos, do Iuperj, diz que é preciso avançar na capacidade de iniciar agendas próprias, independentemente do Executivo, em especial nas áreas econômica, financeira e administrativa. “Na América Latina estamos bem à frente, não só em termos de institucionalização de procedimentos, capacidade de armazenar e distribuir informações sobre a atividade parlamentar, como também em dados para processar decisões. Em relação aos EUA e demais países desenvolvidos, nos saímos bem em certos aspectos e não tão bem em outros”, compara. A responsabilidade dos partidos na política nacional é um dos pontos que merecem ser explorados em futuras pesquisas e debates. “É muito fácil expulsar o membro de um partido diante de denúncias da corrupção, e é muito difundida a tese de que, no Brasil, o partido político tem pouca influência sobre o resultado das eleições e que a vitória se deve mesmo ao carisma ou ao currículo de cada candidato, ou seja, a tese do personalismo político”, afirma Mayla Di Martino.
Desse modo, o paradigma da profissionalização permite enxergar a situa­ção por outro prisma, acrescenta: para permanecer no jogo, os candidatos dependem do partido político: precisam ganhar indicações para cargos eletivos ou cargos de confiança; precisam de abrigo nos tempos de infortúnio eleitoral – quando perdem as eleições, afinal, a maioria dos políticos teve que interromper ou deixar em segundo plano a sua profissão original. “É preciso uma mudança de paradigma na maneira como se analisam os partidos políticos no Brasil: a partir do momento em que os próprios analistas políticos passarem a acreditar que eles realmente influenciam a vida política brasileira, quem sabe consigam fazer a população atentar para o fato de que, no momento da eleição, é importante punir o partido pelo erro de seus candidatos”, afirma a pesquisadora da USP.


Josélia Aguiar – Março de 2010
IN Revista Fapesp, ed. 169 – http://revistapesquisa.fapesp.br/2010/03/28/deputado-profissional/
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domingo, 13 de outubro de 2013

Quando parar é ir para a frente


Ciclo de greves entre 1978 e 1992 foi fundamental para a democratização brasileira.

Carlos Haag
“Pois quem toca o trem pra frente/ também de repente/ pode o trem parar”, escreveu Chico Buarque em Linha de montagem (1980), uma homenagem do compositor ao ciclo de greves iniciado em 1978 na principal área industrial do país, o ABC paulista, após um intervalo de uma década sem nenhuma paralisação. Uma vez iniciado o movimento, seguiu-se uma onda de 20 anos de greves, um ciclo cujo pico, entre 1985 e 1992, fez com que o Brasil apresentasse um dos maiores níveis de paralisações da história dos países ocidentais. O trem parou mesmo de repente: se em 1977 não há registros de greves, no ano seguinte seriam 118 e nos próximos 10 anos mais de 2 mil. Para os economistas, a locomotiva brecou em função de mudanças tecnológicas, PIB, índices de salários e desemprego. Já os sociólogos viam no maquinista um proletário que queria tirar o país dos “trilhos” em que ele estava e, mais do que salário, desejava mudanças estruturais e ideológicas.
“A análise das estatísticas das greves mostra que nenhum dos dois dá conta do fenômeno. O ciclo brasileiro de paralisações comportou-se de forma claramente vinculada às características e ao processo de transição política brasileira para a democracia”, explica o cientista político Eduardo Noronha, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do projeto Arquivos das greves no Brasil: análises qualitativas e quantitativas da década de 1970 à de 2000, feito em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e apoiado pela FAPESP, que gerou um banco de dados completo das paralisações, das reivindicações feitas até o resultado final dos conflitos trabalhistas. Além disso, foram feitas 50 entrevistas com líderes sindicais desde os anos 1960 e que irão gerar três volumes a serem lançados em 2013. “Deu-se pouca atenção à relação entre greves e processos políticos, sobrevalorizando as variáveis econômicas ou tratando as políticas de forma genérica, seja mostrando as greves como expressão de conflitos de classe ou político-partidários”, observa. Segundo ele, a variação do volume de greves não se deve a mudanças menores nos indicadores de emprego, renda ou inflação, ou, no campo da política, às oportunidades de ampliação de demandas nos anos eleitorais. “Isso tudo influencia a explosão de paralisações, mas não basta para explicar os momentos de rupturas de um ciclo de greves”, diz.
Para Noronha, as greves fazem parte da trajetória brasileira de democratização, de amadurecimento da sociedade brasileira. “Aqui, as greves não eram só no espírito do ‘abaixo a ditadura’, mas queriam democracia nos lugares de trabalho. Claro que a luta por salários melhores era a grande motivação, mas havia também uma luta pela redução da falta de cidadania dentro das fábricas, onde operários eram desrespeitados. A ditadura também estava nos lugares de trabalho.” Há registros de reivindicações grevistas que pediam a liberdade de ir ao banheiro sem consultar o capataz, entre outros direitos básicos. “As greves, claro, tinham uma dimensão política, mas não partidária. Os trabalhadores queriam um novo status na sociedade brasileira.” A democratização nacional, após um longo período de autoritarismo, instabilidade econômica e superação do modelo desenvolvimentista, é, nota o pesquisador, a chave para entender a onda excepcional de greves. Afinal, desde o início do século XX até o final da democracia populista, os sindicatos brasileiros não foram capazes de promover um ciclo de greves com impacto econômico.
Em suas pesquisas, Noronha observou a presença de “marcos políticos e econômicos dos governos federais”, de Geisel a Lula, que mudavam a tendência da opinião pública independentemente das variáveis econômicas tradicionalmente valorizadas na análise dos ciclos grevistas, como emprego e inflação. Os dados mais relevantes para o entendimento do ciclo de greves brasileiro são até certo ponto inéditos, pois resultaram de expectativas coletivas associadas aos marcos das gestões governamentais e, secundariamente, às conjunturas políticas e econômicas de cada ano. “O final da década de 1970 é uma ruptura da história das relações de trabalho no Brasil. Nada menos provável do que a greve da Scania em 1978 e, no entanto, foi a mais importante delas, por mostrar que as greves eram possíveis e por despertar a opinião pública”, diz.
O pesquisador lembra que transições políticas são momentos ideais para ações coletivas pelo crescimento do interesse da sociedade em geral em participar de manifestações públicas. Havia, então, uma insatisfação geral com o governo militar e a mídia comprou o discurso da democracia, incluindo a greve como um instrumento legítimo da sociedade rumo à democratização. “Isso fez com que os marcos de alteração do comportamento grevista no país fossem simultâneos às alterações políticas e institucionais da transição, sendo os principais momentos de ruptura os de 1978, quando os metalúrgicos do ABC forçaram a sua incorporação ao projeto de ‘abertura’ dos governos Geisel e Figueiredo, e 1985, ano da posse do primeiro governo civil do pós-64.” Assim, fatos políticos abalaram ou incentivaram o movimento sindical.
“Pode-se observar isso na redução das greves entre 1980 e 1982, explicável não apenas pelo aumento do desemprego, mas também pelo atentado do Riocentro, que mostrou as rupturas entre os militares com o programa de liberalização política. Os sindicatos, então, recuaram, pois entenderam que o momento não era favorável para greves e trocaram o ativismo para a organização interna, que levou à criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983”, conta Noronha. Outro exemplo, segundo o autor, ocorreu com a queda dos indicadores de greve a partir de maio de 1992, quando surgem as denúncias de corrupção do governo Collor, até o fim do ano, com a queda do presidente. “Isso parece confirmar a sensibilidade dos sindicatos em face de uma nova instabilidade política e reforça a hipótese de que as variáveis políticas são essenciais para se entender uma greve.”
Outro marco importante foram as eleições estaduais em 1982. Após um longo período sem diálogo com o Estado, os sindicatos não pouparam os novos governadores oposicionistas eleitos, cobrando-os com greves. “A partir desse contexto em que os riscos da greve haviam diminuí-do e as oportunidades de ganho aumentado, as paralisações não se concentraram mais no setor privado, mas, em especial, cresceram entre os servidores públicos.” As greves, então, dominam o cenário nacional, já que a tendência dos governos estaduais em consolidar sua legitimidade como lideranças democráticas refletiu-se no nível federal: a disposição à negociação dos governadores era um contraponto à prática repressiva do governo federal. Alguns segmentos do governo, diante das derrotas eleitorais, passaram a se aproximar dos sindicalistas com propostas de reformas da CLT.
O governo Sarney, em 1985, legitimou as lideranças sindicais como interlocutores válidos para o Estado e as greves ajudaram a consolidar um novo padrão de relações entre empregados e empregadores com a disseminação das negociações. Mas as greves brasileiras eram movidas por componentes que fugiam ao senso comum. “Os salários, em todo o mundo, são a pauta principal das greves e aqui não foi diferente. No caso brasileiro, porém, as greves aumentam não quando os salários caem, mas quando podem subir. Ou seja, as greves são deflagradas quando os trabalhadores acreditam que seja possível obter ganhos salariais, não importando o quanto os salários são percebidos como baixos ou adequados”, explica. Assim, entre 1988 e 1991, apesar de o rendimento real não ter caído, as greves crescem nos dois setores que, somados, ultrapassaram a marca de 2 mil greves e cerca de 185 milhões de jornadas não trabalhadas.
Apesar disso, segundo Noronha, foram raras as paralisações que apresentaram demandas políticas, embora a evolução do nível e do padrão de conflitos estar claramente marcada pelos principais momentos políticos da década de 1980, o que lhes dá outra dimensão além da corporativa. “A flutuação do conflito trabalhista no Brasil seguiu de perto os passos da transição brasileira. Primeiro, porque o movimento sindical avançou (e soube recuar) a cada etapa do processo de liberalização do regime autoritário. Depois, porque a incorporação da classe trabalhadora e da liderança sindical no processo de transição se deu por meio das possibilidades abertas para a expressão de suas demandas, e não pela sua participação nos pactos políticos que definiram a transição. Se a greve não foi o único canal de manifestação desses segmentos, foi a forma mais eficaz de expressão de descontentamento social e político”, avalia. À medida que a classe trabalhadora se tornou capaz de ganhar força sobre os empresários, pegos de surpresa nas primeiras greves, o conflito de interesses entre capital e trabalho cresceu cada vez mais na arena política e menos na industrial.
 “A eclosão de greves é determinada pela percepção da injustiça associada ao entendimento de que o momento é oportuno para obtenção de ganhos. Houve momentos, por exemplo, em que lideranças tentaram pressionar os trabalhadores à greve sem ressonância e outros em que ocorreu o oposto.” No Brasil, a dispersão sindical e a baixa capacidade das centrais sindicais de coordenar as negociações levam a que a lógica dos sindicatos isolados seja aproveitar os momentos favoráveis de ganho e retrair-se quando as reduções salariais pareçam ser dificilmente reversíveis. “O fim do grande ciclo se liga aos indicadores econômicos mais recentes, desfavoráveis às greves (inflação sob controle e desemprego em alta), à adesão parcial à ortodoxia liberal e à superação do modelo desenvolvimentista no governo FHC. E também a mudança da percepção pública sobre a pertinência e eficácia das ações coletivas após a democracia brasileira atingir a sua maturidade”, fala Noronha. Hoje, segundo o pesquisador, é provável que novos ciclos ocorram, mas as greves no Brasil entraram na “normalidade”.
“As novas condições dos anos 1990 e o avanço das instituições democráticas vão tirar a greve do centro das estratégias dos sindicatos. Atualmente, elas só ocorrem quando os mecanismos de negociação não funcionam, como no setor público, onde há paralisações violentas e longas”, analisa o economista Claudio Dedecca, professor da Universidade Estadual de Campinas, e coordenador do projeto Brasil século XXI, população, trabalho e sociedade. “Não temos mais uma cultura de conflito no mundo do trabalho. A greve dos policiais na Bahia mostrou isso ao não se nacionalizar como era o objetivo dos grevistas”, diz. Para o pesquisador, a greve no Brasil sempre foi complexa. “É possível vivermos numa situação com grande número de empregos e não haver greve, porque as instituições estão funcionando em prol do trabalhador.” O economista lembra ainda que os grandes setores sempre balizaram as greves no passado e como a paralisação deixou de ser uma estratégia, os setores menos organizados têm ainda menos estímulo para parar.
“O que faz ainda o Brasil parar é um crescimento nacional que não seja redistribuído corretamente. Logo, a greve só acontece quando os canais de comunicação são limitados e não há diálogo entre as partes”, nota. O aprendizado do diálogo, aliás, foi fundamental para a criação da cultura democrática nacional. “A greve acabou se transformando num elemento de democratização e foram as paralisações que alimentaram a transição política e vice-versa. O Brasil mobilizado nas ruas, nas Diretas ou mais tarde no impeachment de Collor nasceu com as greves do ABC. As greves foram uma escola de como mobilizar as massas, bem como introduziram os trabalhadores e suas lideranças no cenário político nacional”, nota Noronha.
Essa novidade política, porém, não foi acompanhada diretamente pela renovação dos mecanismos de negociação. “A partir da redemocratização, as relações trabalhistas passaram a se caracterizar pelo descompasso entre as instituições trabalhistas e legislativas, ainda arcaicas, e a modernização econômica e social do país. Há setores que fogem a essa regra, como o metalúrgico e o siderúrgico, de sindicatos fortes, que obrigaram as empresas a modernizar a sua gestão de RH se antecipando às necessidades dos trabalhadores. Mas são exceções”, nota o economista Hélio Zylbers-tajn, professor da USP e presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho. “O setor público está muito longe dessa realidade, ainda imperando um modelo de greves longas graças a um sistema de negociação que favorece o impasse. Como o setor não mexe no capital e não impõe custos diretos às duas partes, mas se volta para o público, há pouco interesse em estabelecer mecanismos mais modernos de negociação ou arbitragem.” Segundo Hélio, o país negligenciou a importância estratégica da gestão das relações de trabalho, preferindo o litígio na Justiça.
 “Há pouco espaço para a negociação prévia e o resultado são as crises como as greves recentes de serviços essenciais, cuja legislação é sempre adiada pelo Congresso. Mas não há interesse nessa regulamentação no setor público em qualquer instância. Afinal, a Justiça do Trabalho não pode obrigar prefeitos e governadores a sentar a uma mesa de negociação com grevistas e arbitrar, como ocorre no setor privado”, diz o cientista político Armando Boito, da Unicamp, coordenador da pesquisa Neoliberalismo e trabalhadores no Brasil: política, ideologia e movimentos sociais. Para o pesquisador, esse movimento é essencial, pois, assegura, o sindicalismo não está em crise, como se apregoou nos anos 1990, mas ativo e grevista. “Em 2003, de todos os acordos fechados, apenas 18% deles resultaram em aumentos superiores à inflação. Em 2009 esse número cresceu para quase 90% em função do aumento de greves com resultados. “São greves amplas, com presença massiva de grevistas, por vezes entre 170 mil e 200 mil, com passeatas por São Paulo. Houve mesmo ocupação de fábricas, um recurso extremo”, avisa. Para Boito, isso ocorre a despeito da estrutura sindical deficiente do país, ligada ao Estado e que vem provocando uma pulverização dos sindicatos em suas bases. “Há um pluralismo na cúpula e unicidade na base. Os líderes sindicais têm grande dependência do Estado e uma relação frouxa com os trabalhadores, com um caráter ainda populista. Há muita greve forçada.” Na contramão de quem acha que o trem não para mais, Boito adverte que o maquinista ainda tem o freio na mão. Mas é preciso, rapidamente, modernizar a locomotiva.

Carlos Haag – Março de 2012
IN Revista Fapesp , Ed. 193– http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/29/quando-parar-%C3%A9-ir-para-a-frente/

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Alimentos orgánicos para los ricos, "transgénicos" para los pobres


La suerte está echada, los ricos van a los supermercados para comprar alimentos orgánicos y sin transgénicos. Para los pobres, se encuentran a la venta productos baratos, sin etiquetar, pero con transgénicos. Los aún más pobres reciben alimentos gratuitos con el denominativo de ayuda humanitaria, sobre todo soya y maíz transgénicos.

Fortunato Esquivel
Al terminar este año 2012 los autodenominados grandes productores de alimentos agrícolas se esforzaron como nunca en convencer al pueblo sobre la “urgente” necesidad de incursionar en el uso de la biotecnología para producir en mayores proporciones. En otras palabras, intentaron imponer su criterio de utilizar semillas genéticamente modificadas, para producir alimentos “transgénicos”.
Históricamente los grandes inventos científicos siempre fueron destinados inicialmente a los ricos y mucho después a los pobres. En el caso presente, es la primera vez que un gran invento es destinado inicialmente a los pobres.. “los alimentos transgénicos”. ¿Por qué será? Un conocido refrán dice que: “Cuando la limosna es muy grande, hasta el santo sospecha”. 
Cuando en 1879 la luz eléctrica hizo su presencia, los más ricos aprovecharon inicialmente sus virtudes. Los más pobres no tienen hasta hoy ese beneficio en los tugurios de las ciudades y en las aldeas alejadas de nuestro continente y otros. Lo mismo ocurrió con trenes, automóviles, teléfonos y aviones. Los pobres siguen a pie. 
Los alimentos transgénicos, son el primer gran invento universal destinado a los pobres, porque según se dice la población mundial está aumentando “demasiado”  y los pobres son mayoría. En 1950 se contabilizaron 2.500 millones, en 1990 se duplico a 5.000 millones y este año se situó en 7.000 millones. Para 2050, seremos más de 9.000 millones. Los ricos están espantados. 
La suerte está echada, los ricos van a los supermercados para comprar alimentos orgánicos y sin transgénicos. Para los pobres, se encuentran a la venta productos baratos, sin etiquetar, pero con transgénicos. Los aún más pobres reciben alimentos gratuitos con el denominativo de ayuda humanitaria, sobre todo soya y maíz transgénicos.
 Hace un año, los “grandes” agricultores se comprometieron a sembrar  solo entre 20 y 30% de soya transgénica, pero tras pisar y pasar, aquí estamos con la novedad de que toda la soya cultivada es biológicamente modificada. El total de un millón de hectáreas fueron sembradas con semillas transgénicas.
 El escritor y geógrafo ucraniano Alex Dobrovolsky, escribió un artículo sobre los peligros de los tan propagandizados transgénicos y señala que “los ricos rechazan consumir transgénicos, destinándolos a los pobres, y esta es la señal de que estos alimentos son un fenómeno negativo y antisocial”.
Los entendidos señalan que la tecnología de los transgénicos hace que estas semillas no tengan memoria y solo sirven para la primera cosecha, pues en la segunda ya no se acuerdan de germinar. Es una tecnología “Terminator” (Exterminadora), son semillas Zombies, ya no saben si están vivas o muertas.
Estas semillas modificadas genéticamente  son creadas para ser resistentes al agro tóxico, los insectos y las plagas. Cuando los campos son fumigados con glifosato, la maleza y cualquier otra planta se marchitan, pero la soya transgénica se encuentra intacta ¿Cómo ocurre?
Durante su transgenización, estas semillas recibieron, sin duda, alguna bacteria dentro de su código para que sean resistentes a los agro tóxicos, especialmente el glifosato. Las grandes transnacionales productoras de estas semillas, intentan de todas maneras convencernos de que son “alimentos”.
Dobrovolsky dice con mucha razón que si el glifosato y otros tremendamente fuertes agro tóxicos no pueden descomponer las moléculas de la planta transgénica, mucho menos podrá el jugo gástrico o el jugo hepático del animal o del hombre. Por estas sencillas razones, el organismo animal o del hombre será incapaz de absorber las sustancias denominadas “alimento” tan necesarias para la vida.
Si esto es así, los productos transgénicos tendrán como consecuencia, el hambre y sobre todo la desnutrición. Formalmente los estómagos de los pobres recibirán estos productos, pero no podrán absorberlos. Una segunda consecuencia negativa será la sobrecarga del estómago, el hígado y otros órganos cuyos jugos y fermentos no podrán descomponer las moléculas de los transgénicos, porque no pueden descomponerse.
Los agro productores que ya producen soya, anuncian que pronto lo harán con maíz, arroz y algodón transgénicos, todos resistentes a los insectos  y al moho. Pero, esas semillas contienen en sus genes alguna bacteria toxica, por tanto las plantas transgénicas  contienen el veneno que mata a los insectos y a las plagas bacterianas.
Es innegable que ese veneno termina siendo dañino para la salud, razón suficiente para tener la seguridad que esta tecnología infernal ha sido destinada en primer término a los pobres. Es preciso y urgente que los fabricantes de alimentos etiqueten sus productos para saber cuáles son o no transgénicos.
La población mundial, sigue creciendo y los pobres son mayoría. Un puñado de caprichosos dementes urgidos de más y más plata, siguen proponiendo, alimentos orgánicos para los ricos y transgénicos para los pobres.


Fortunato Esquivel – 28.01.2013
IN Barometro Internacional –  http://barometrointernacional.bligoo.com.ve/fortunato-esquivel-alimentos-organicos-para-los-ricos-transgenicos-para-los-pobres


 

Estudo confirma efeitos devastadores de transgênicos e agrotóxicos


Pesquisa francesa coloca um fim à dúvida sobre os riscos que os alimentos transgênicos representam para a saúde da população.

Página do Movimento Sem Terra
Pela primeira vez na história foi realizado um estudo completo e de longo prazo para avaliar o efeito que um transgênico e um agrotóxico podem provocar sobre a saúde pública. Os resultados são alarmantes.
O transgênico testado foi o milho NK603, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (característica presente em mais de 80% dos transgênicos alimentícios plantados no mundo), e o agrotóxico avaliado foi o próprio Roundup, o herbicida mais utilizado no planeta – ambos de propriedade da Monsanto. O milho em questão foi autorizado no Brasil em 2008 e está amplamente disseminado nas lavouras e alimentos industrializados, e o Roundup é também largamente utilizado em lavouras brasileiras, sobretudo as transgênicas.
O estudo foi realizado ao longo de 2 anos com 200 ratos de laboratório, nos quais foram avaliados mais de 100 parâmetros. Eles foram alimentados de três maneiras distintas: apenas com milho NK603, com milho NK603 tratado com Roundup e com milho não modificado geneticamente tratado com Roundup. As doses de milho transgênico (a partir de 11%) e de glifosato (0,1 ppb na água) utilizadas na dieta dos animais foram equivalentes àquelas a que está exposta a população norte-americana em sua alimentação cotidiana.
Os resultados revelam uma mortalidade mais alta e frequente quando se consome esses dois produtos, com efeitos hormonais não lineares e relacionados ao sexo. As fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais.
O estudo, realizado pela equipe do professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, foi publicado em 2012 em uma das mais importantes revistas científicas internacionais de toxicologia alimentar, a Food and Chemical Toxicology.
Segundo reportagem da AFP, Séralini afirmou que “O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimentou com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)”, explica o cientista. Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.
O artigo da Food and Chemical Toxicology mostra imagens de ratos com tumores maiores do que bolas de pingue-pongue. As fotos também podem ser vistas em algumas das reportagens citadas ao final deste texto.
Séralini também explicou à AFP que “Com uma pequena dose de Roundup, que corresponde à quantidade que se pode encontrar na Bretanha (norte da França) durante a época em que se espalha este produto, são observados 2,5 vezes mais tumores mamários do que é normal”.
De acordo com Séralini, os efeitos do milho NK603 só haviam sido analisados até agora em períodos de até três meses. No Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autoriza o plantio, a comercialização e o consumo de produtos transgênicos com base em estudos de curto prazo, apresentados pelas próprias empresas demandantes do registro.
O pesquisador informou ainda que esta é a primeira vez que o herbicida Roundup foi analisado em longo prazo. Até agora, somente seu princípio ativo (sem seus coadjuvantes) havia sido analisado durante mais de seis meses.
Um dado importante sobre esse estudo é que os pesquisadores trabalharam quase que na clandestinidade. Temendo a reação das empresas multinacionais sementeiras, suas mensagens eram criptografadas e não se falava ao telefone sobre o assunto. As sementes de milho, que são patenteadas, foram adquiridas através de uma escola agrícola canadense, plantadas, e o milho colhido foi então “importado” pelo porto francês de Le Havre para a fabricação dos croquetes que seriam servidos aos ratos.
A história e os resultados desse experimento foram descritos em um livro, de autoria do próprio Séralini, que será publicado na França em 26 de setembro sob o título “Tous Cobayes !” (Todos Cobaias!). Simultaneamente, será lançado um documentário, adaptado a partir do livro e dirigido por Jean-Paul Jaud.
Esse estudo coloca um fim à dúvida sobre os riscos que os alimentos transgênicos representam para a saúde da população e revela, de forma chocante, a frouxidão das agências sanitárias e de biossegurança em várias partes do mundo responsáveis pela avaliação e autorização desses produtos.

Página do MST – 14.03.02013



Creciente debate sobre los daños del maíz transgénico en la alimentación


Unos investigadores cuestionan métodos y resultados de Seralini, otros los respaldan plenamente.

Fernando Camacho y Carolina Gómez
 El estudio realizado por el biólogo francés Gilles-Eric Seralini, según el cual una variante de semillas transgénicas de maíz habría provocado cáncer de hígado, infertilidad y otros daños físicos a ratas de laboratorio dividió opiniones entre los científicos mexicanos, pues mientras algunos consideran que esta es una prueba del riesgo de dichos granos, otros advirtieron que la citada investigación fue poco rigurosa, y pusieron en duda sus resultados.
Antonio Turrent, presidente de la Unión de Científicos Comprometidos con la Sociedad (UCCS), subrayó que si se permite la siembra masiva de semillas modificadas genéticamente, sin antes verificar la inocuidad de éstas, se corre el riesgo de que la salud y la alimentación de los mexicanos sufra una contaminación irreversible y a gran escala.
El investigador nacional emérito aseveró que el estudio de Seralini –hecho en semillas de la trasnacional Monsanto– fue detallado y excelente, por lo que cualquier gobierno responsable debería emitir una moratoria en la siembra comercial de dicho producto, mientras se realizan nuevos estudios que confirmen o desmientan sus resultados.
Es cierto que no se pueden generalizar, ni tomar como un hecho inconmovible, y por la importancia del maíz como alimento, el gobierno de México debería financiar de inmediato una nuevo estudio, con investigadores independientes. Decir que la única forma de modernizarnos es con los transgénicos es una rotunda mentira, recalcó.
En el mismo sentido, Alejandro Espinosa Calderón, experto del Instituto Nacional de Investigaciones Forestales, Agrícolas y Pecuarias (INIFAP), aseguró que el estudio en cuestión es serio y formal y fue revisado por pares, a diferencia de los que manda a hacer Monsanto, que sí son sesgados.
Asimismo, afirmó que la UCCS le toma la palabra a los científicos paleros de Monsanto que han cuestionado la investigación de Seralini y propuso que la Comisión Intersecretarial de Bioseguridad de los Organismos Genéticamente Modificados haga un análisis sobre estos maíces, el cual no obtendrá resultados diferentes a los de la Universidad de Caen.

Estudio poco riguroso
En contraposición, Jaime Padilla, director científico de AgroBio México, aseguró que el trabajo del francés es incompleto e inexacto. En ciencia debe decirse cómo se hicieron las cosas. Tras cuestionar la metodología y asegurar que la muestra es muy pequeña, sostuvo que aunque la revista Food and Chemical Toxicologylo haya publicado, eso no quiere decir que sea cierto.
Padilla también aseguró que los ratones blancos, cuando se les da dietas que no son normales, desarrollan tumores en el hígado.
De igual forma, indicó que los científicos que realizaron la investigación son cercanos a grupos ambientalistas que se oponen a los transgénicos y que tal vez los financian. No es clara su fuente de financiamiento. Dicen que no tienen conflicto de intereses, pero se sabe que los patrocinan grupos ambientalistas. Eso habla de un sesgo en la interpretación de los resultados. No se muestra todo lo que salió, sino lo que sale conforme a lo que se quiere.
Federico Sánchez Rodríguez, investigador del Instituto de Biotecnología de la Universidad Nacional Autónoma de México, coincidió en que el análisis de la Universidad de Caentiene muchas fallas. El número de ratas es muy pequeño, y por lo tanto no es suficiente para hacer un buen análisis estadístico. Además, este tipo de animales es muy susceptible a generar cáncer de mama.
El especialista en biología molecular de plantas subrayó que el tema de las semillas transgénicas está siendo abordado a partir de generalizaciones y conceptos mal entendidos, por lo que no hay motivos para declarar una moratoria de la siembra experimental de organismos genéticamente modificados, cuya inocuidad quizá podría comprobarse en uno o dos años.


Fernando Camacho y Carolina Gómez – 23.09.2012
 IN Periódico La Jornada – http://www.jornada.unam.mx/2012/09/23/sociedad/036n1soc