terça-feira, 16 de janeiro de 2018

"A Lava Jato pode estar solapando as condições do combate à corrupção"

Cientista político da UFMG [Bruno W. Reis] diz que, em sua ambição de "limpar" o sistema político, a operação erra ao poupar o poder econômico. “Muitos comemoram e pensam que, na medida em que você tem um sistema político corrupto e os corruptos são presos e as organizações desmanteladas, o sistema fica limpo. Isso é uma ingenuidade. Em um país com a estrutura econômica do Brasil, o sistema vai sofrer forte pressão do sistema econômico. Quanto mais desorganizado estiver, mais precária a sua posição para resistir a essa pressão”.

Débora Melo
Os métodos utilizados pela Operação Lava Jato desorganizaram o sistema político de tal maneira que encontram-se deterioradas as condições para um combate eficaz à corrupção. Esse é o diagnóstico do cientista político Bruno Pinheiro Wanderley Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A crise política brasileira, que se arrasta há pelo menos três anos, atingiu um novo patamar com os grampos e delações premiadas do dono e executivos da JBS, maior produtora de carne do mundo e uma das maiores doadoras a campanhas eleitorais do Brasil.
A operação Patmos da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal tem em seu centro o executivo Joesley Batista, que gravou um encontro com o presidente Michel Temer e produziu material para tentar provar uma tentativa de obstrução à Lava Jato por parte do Planalto.
Para o professor Bruno Reis, as autoridades envolvidas no combate à corrupção são “politicamente ingênuas” ao acreditar em uma limpeza do sistema que não passe necessariamente por uma reforma eleitoral. “Por definição, o sistema político opera sob assédio do poder econômico. Nós pegamos um sistema peculiarmente exposto ao poder econômico e estamos dando porrada, simplesmente desbaratando o sistema e deixando intocadas as raízes institucionais do problema”.
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Débora Melo – 23.05.2017.
Bruno W. Reis – Cientista Político.
IN Carta Capital.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Cinco famílias controlam 50% dos principais veículos de mídia, indica relatório



Pesquisa das ONGs Repórteres Sem Fronteiras e Intervozes mostra domínio de poucos na comunicação. Em ranking de risco à pluralidade, Brasil é o último

José Antonio Lima
Cinco famílias controlam metade dos 50 veículos de comunicação com maior audiência no Brasil. A conclusão é da pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia (Media Ownership Monitor ou MOM), financiada pelo governo da Alemanha e realizada em conjunto pela ONG brasileira Intervozes e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), baseada na França. 
A pesquisa MOM sobre o Brasil é a 11ª versão do levantamento, realizado anteriormente em dez outros países em desenvolvimento: Camboja, Colômbia, Filipinas, Mongólia, Gana, Peru, Sérvia, Tunísia, Turquia e Ucrânia. Trata-se de um projeto global do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha que tem como objetivo promover transparência e pluralidade na mídia ao redor do mundo. 
A pesquisa acompanha um ranking de Risco à Pluralidade da Mídia, elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras, no qual o Brasil ocupa o 11º e último lugar. Nos dez indicadores do ranking, o País apresenta risco "alto" em seis deles, como concentração de audiência e salvaguardas regulatórias. 
No caso do Brasil, o levantamento listou os 50 veículos de mídia com maior audiência e constatou que 26 deles são controlados por apenas cinco famílias. O maior é o Grupo Globo, da família Marinho, que detém nove desses 50 maiores veículos.
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José Antonio Lima – Jornalista – 31.10.2017.
IN Carta Capital.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Using Billions in Government Cash, Mexico controls News Media


 
The result is a media landscape across Mexico in which federal and state officials routinely dictate the news, telling outlets what they should — and should not — report, according to dozens of interviews with executives, editors and reporters. Hard-hitting stories are often softened, squashed or put off indefinitely, if they get reported at all. Two-thirds of Mexican journalists admit to censoring themselves.

Azam Ahmed

Running a newspaper, radio station or television outlet in Mexico usually means relying on a single, powerful client that spends exorbitant sums on advertising with a simple warning: “I do not pay you to criticize me.” 
    That client is the government of Mexico.
President Enrique Peña Nieto’s administration has spent hundreds of millions of dollars a year in government money on advertising, creating what many Mexican media owners, executives and journalists call a presidential branding juggernaut capable of suppressing investigative articles, directing front pages and intimidating newsrooms that challenge it

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Azam Ahmed – 25.12.2017.
IN New York Times.