segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Marco Legal de Ciência e Tecnologia: O que muda na vida dos pesquisadores?



Ao todo, nove leis são modificadas pelo Marco Legal, que foi discutido ao longo de cinco anos com a comunidade científica e empresarial.

Herton Escobar
Universidades públicas e empresas privadas poderão trabalhar de forma muito mais próxima a partir de agora, segundo uma nova lei sancionada nesta semana pela presidente Dilma Rousseff. Chamada de Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, ela permite, entre outras novidades, que professores em regime de dedicação integral desenvolvam pesquisas dentro de empresas e que laboratórios universitários sejam usados pela indústria para o desenvolvimento de novas tecnologias — em ambos os casos, com remuneração.
“É o início de uma nova fase para a pesquisa e inovação tecnológica no Brasil”, disse a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, após a cerimônia de assinatura do projeto, em Brasília.
Outro aspecto importante, elogiado por empresários e pesquisadores, é a desburocratização dos sistemas de licitação, compra e importação de produtos destinados à pesquisa científica e tecnológica. O novo marco altera a famigerada Lei de Licitações 8.666, dispensando a obrigatoriedade de licitação para “aquisição ou contratação de produto para pesquisa e desenvolvimento”.
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Herton Escobar – 13.01.2016.
IN O Estado de São Paulo.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Governo anuncia medidas de crédito para injetar R$ 83 bilhões na economia

 

Segundo o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, as medidas não resultarão em custo para o governo porque os financiamentos terão taxas de mercado e o governo está apenas simplificando procedimentos e reduzindo riscos, o que ajuda o próprio mercado a reduzir as taxas de juros.

Wellton Máximo
Para impulsionar a produção e recuperar o crescimento, o governo anunciou hoje (28) medidas de estímulo ao crédito que injetarão R$ 83 bilhões na economia. Algumas ações de estímulo foram anunciadas mais cedo pela presidenta Dilma Rousseff, no encerramento da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.
A medida que, segundo o governo, terá mais impacto sobre a economia é a agilização da aplicação dos recursos do Fundo de Infraestrutura do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) em empreendimentos da área e a simplificação da emissão de debêntures de infraestrutura, que liberará até R$ 22 bilhões. Essa medida, no entanto, necessita de aprovação do Congresso Nacional.
Em segundo lugar, está a autorização para que parte da multa rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), paga em demissões sem justa causa, possa ser usada como garantia para o crédito consignado – com desconto das parcelas diretamente no salário – por trabalhadores do setor privado. A expectativa do governo é que a medida resulte na injeção de R$ 17 bilhões em crédito. Em seguida, vem a abertura da linha de crédito para refinanciar as prestações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Programa de Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), que deverá resultar em empréstimos de R$ 15 bilhões.
O governo também anunciou o reforço da concessão de crédito por bancos públicos com taxas menores que as de mercado.
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Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – 28.01.2016.
Colaboraram Paulo Victor Chagas e Sabrina Craide.
IN Agência Brasil.



A virada de Dilma

[Do Ponto de Vista Social] não apenas o maior número de manifestantes pró-legalidade – cujos atos ocorreram no dia 16/12 –, mas sua representatividade e diversidade, demonstraram a força da sociedade brasileira cuja democracia política e social são valores essenciais. Não bastasse isso, as manifestações dos grupos de classe média tradicional – a chamada “classe média burguesa” – vêm diminuindo de maneira vigorosa, no limiar da desidratação, como pode ser observado no ato do dia 13/12, data funesta à democracia brasileira por coincidir com o famigerado AI-5. A simbologia desta data não poderia ser mais significativa, mas fundamentalmente demonstra o “tiro curto” de lideranças de movimentos como MBL, Vem Pra Rua e outros, cada vez mais reduzidos à insignificância política da qual são portadores, pois, além do mais, tinham em Cunha (!) seu esteio anticorrupção! A ascensão de movimentos partidários, sociais e populares, legalistas e de esquerda, que passaram a superar suas divergências em nome da manutenção do mandato legal de Dilma, e compreenderam que muito além do impeachment da presidente o que está em jogo é a democracia política – o que inclui direitos civis –, social e trabalhista, e a própria agenda de esquerda no país: tal ascensão torna-se sustentáculo da democracia e, nesse momento, do mandato de Dilma.

Francisco Fonseca
Embora a conjuntura política brasileira permaneça extremamente fluida desde o início do ano, com lances e contralances diversos em distintas direções, os acontecimentos da última semana aparentemente são promissores ao Governo Dilma, uma vez que ganhou musculatura para virar a página das crises intermináveis que estamos vivenciando dramaticamente.
Mesmo correndo-se o risco de a análise abaixo ser abalroada pela multiplicidade de atores, pontos de veto e novos lances, o fato é que está se delineando um novo quadro político no país, uma espécie de “luz ao final do túnel” como há muito não se via.
O conjunto de fatos – conjugados – a seguir apontam nessa direção, embora não sem contradições:
  1.       Do ponto de vista institucional: a decisão do STF de revogar essencialmente as deliberações dos golpistas no Congresso, lideradas por Eduardo Cunha, com toda sorte de manobras, atentados ao regimento e sobretudo à Constituição traz, sem dúvida, alento para se barrar o “golpe parlamentar” em andamento desde a divulgação do resultado eleitoral que proclamou Dilma presidente da República. Embora algumas decisões do STF, caso do modus operandi de todo e qualquer processo de impeachment, sejam questionáveis, notadamente quanto ao quórum da Câmara e do Senado à admissibilidade e julgamento do chefe do Executivo, assim como o fato de manter na presidência da Câmara um parlamentar (Cunha) cujas provas materiais – apontadas o procurador-geral Rodrigo Janot – são inquestionáveis a ponto de intitulá-lo como “chefe de quadrilha”: apesar dessas, e outras contradições, o fato é que a manobra golpista de Cunha, Temer e parte do PMDB, do PSDB/DEM e outros, foi derrotada nesse momento. Não bastasse isso, espera-se que as Operações Lava Jato e Zelotes, entre outras, em algum momento cheguem ao PSDB/DEM/Mídia, uma vez que profundamente enlameados, em distintas situações, com mecanismos ilegais, conforme diversas evidências vêm apontando, embora sem ações institucionais efetivas até o momento.

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Francisco Fonseca – Prof. da FGV/Eaesp e PUC/SP – 20.12.2016.
IN Carta Maior.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Um limite para a Lava–Jato


A lava-jato terá que parar em algum momento. O que não sabemos é se isso acontecerá antes ou depois de todos os partidos e principais líderes serem punidos, abrindo espaço para a solução italiana, de destruição de um sistema que, mal ou bem, permitiu que o Ministério Público existisse, e que tenhamos o Tribunal de Contas da União (TCU) e outras instituições que controlam o próprio sistema.

Alberto Carlos Almeida
A prova de uma delação premiada é uma nova delação. Podemos imaginar aqui um conto fantástico e surrealista, a la Jorge Luís Borges, no qual os atuais presos e incriminados na Operação Lava-Jato, ao confessarem seus crimes e na busca de reduzir suas penas, delatem cada um deles mais três pessoas. Temos a pirâmide da delação. O primeiro preso, que deu origem a tudo, decidiu delatar somente um, mas, a partir daí, delatam-se três pessoas a cada rodada. Entramos então em uma progressão geométrica: 3 presos delatam 9, estes delatam 27, que delatam 81, que vão delatar 243, que e3ntregarão 729 descumpridores da lei. Entre a 18a e 19a rodadas de delação, todos os 200 milhões de brasileiros serão presos, incluídos, ouso dizer, até mesmo aqueles que hoje tocam a Operação Lava-Jato
O último que entrar na prisão joga a chave fora e lá dentro, já encarcerados, teremos que estabelecer um governo. Isso só não ocorrerá sob duas hipóteses: se a Lava-Jato parar em algum momento ou se houver brasileiros que cumpram rigorosamente todas as leis, não deixando margem alguma para serem punidos. Creio que a primeira hipótese é a mais provável. Em suma, a Lava-Jato terá que parar em algum momento.
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Alberto Carlos Almeida – Sociólogo e professor universitário – 23.12.2015.
IN Valor Econômico, ed. Impressa (Republicado em Grupom Consultoria e Pesquisas)




Um basta à Operação Lava-Jato 2

Quanto mais sucesso a Operação Lava-Jato tiver, paradoxalmente, mais o combate sustentável à corrupção estará ameaçado. Destruir PT, PSDB ou o PMDB, os três, dois deles ou somente um, não fará bem à redução contínua da corrupção.


Alberto Carlos Almeida
Construir é sempre muito mais difícil do que destruir. Isto se aplica a praticamente todos os aspectos da vida pessoal, social e até mesmo a coisas materiais. Grandes obras, como barragens, pontes ou prédios, levam anos para serem feitas. A acumulação de conhecimento de física, química e engenharia, necessária para que essas construções fossem viabilizadas levou décadas, ou séculos. Uma vez concluídas, porém, podem ser destruídas da noite para o dia. É o que se vê nas implosões de edifícios ou viadutos. Em segundos, vão ao chão.
Relacionamentos pessoais - entre mulher e marido, entre amigos, entre sócios - tomam muito esforço e um longo tempo para serem construídos. O principal ativo de tais relacionamento é a confiança. Tal como um ativo positivo de reputação, a confiança fica mais forte na medida em que é utilizada. O paralelo entre sociedade e casamento já se tornou lugar comum: primeiro há o namoro, em seguida o noivado e, por fim, o casamento - comemorado em passagens especiais, como 25 e 50 anos no caso dos cônjuges. Cada etapa tem uma denominação diferente e são, entre outras coisas, estágios ou degraus do fortalecimento da relação de confiança.
O que leva muito tempo para ser feito pode ser destruído com facilidade. Inúmeros casamentos chegam ao fim com a descoberta de uma eventual infidelidade ou sociedades terminam quando um sócio rouba o outro. Também aqui, construir é algo penoso e lento, ao passo que a destruição pode ocorrer com facilidade e rapidez.
O que vale para uma ponte, um prédio e um relacionamento entre duas pessoas é ainda mais válido para as instituições sociais e políticas. É fácil argumentar que uma instituição como o presidencialismo, no Brasil, levou mais de um século para ser institucionalizada, consolidada. Outras coisas, como o sistema partidário, levam menos tempo. Nada, porém, que seja mais curto do que uma ou duas décadas. Basta que o leitor reflita acerca de quanto tempo foi necessário para que o PT, o PSDB e o PMDB se consolidassem como partidos políticos. Note-se que não estamos falando de um sistema partidário oco, vazio, sem significado.
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Alberto Carlos Almeida – Sociólogo e Professor universitário – 08.01.2016.
IN Valor Econômico, ed. Impressa.