domingo, 25 de dezembro de 2016

Quando a justiça falha


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Depois da fome, a obesidade


Agregar educação alimentar ao cardápio de proteínas e carboidratos é um requisito para que a vitória contra a carência não se torne no momento seguinte em derrota para o excesso. A dieta saudável como política pública é a nova fronteira da segurança alimentar no mundo.

José Graziano da Silva
A obesidade e a forme enquadram-se numa matriz de falsos opostos. Trata-se de um paradoxo que marca importante dimensão da segurança alimentar e nutricional na atualidade, especialmente nos países desenvolvidos e de renda média, como a maioria dos páises latino-americanos e caribenhos hoje.
Dos 42 milhões de menores de cinco anos que apresentam sobrepeso no mundo, 35 milhões (83%) vivem em países com esse perfil, explica a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 A lição é clara: em sociedades que fizeram grandes progressos na erradicação da fome, e o Brasil é um caso, há que se prevenir retrocessos e aumentar a resiliência do que foi conquistado. Isso inclui reverter a curva ascendente que faz do sobrepeso e da obesidade uma contrapartida da maior quantidade disponível de calorias.
(...)




José Graziano da Silva – Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) – 04.02.2016
IN Valor Econômico, edição impressa.



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As ocupações se espalham...


A nacionalização da tática das ocupações colocou um desafio aos dispositivos de repressão e aos governos de diferentes estados, que reagem de acordo com certos padrões que parecem se repetir. Em São Paulo, o aprendizado da derrota de 2015 representou para o governo uma sofisticação e um endurecimento do autoritarismo: ao mesmo tempo que faz a ‘reorganização’ de maneira menos visível, ele investe na organização de grêmios aparelhados como instrumento de verniz democrático. Quanto à repressão, aposta-se na individualização da perseguição/criminalização dos secundaristas (...) e, sobretudo, na realização das reintegrações de posse pela polícia militar sem necessidade de mandado judicial.

Antônia M. Campos, Jonas Medeiros e Márcio M. Ribeiro
No dia 23 de setembro de 2016, o governo federal oficializou, por meio de medida provisória (MP), a nova política de fomento às escolas de ensino médio em tempo integral. Exatamente um ano antes era anunciada a “reorganização” da rede de ensino do estado de São Paulo. Como a MP, a reorganização foi apresentada de maneira autoritária: estudantes e professores receberam a notícia pela imprensa. Em ambos os caos, a reação não tardou:  no ano passado foram cerca de duzentas ocupações de escolas pelos estudantes paulistas: este ano, vemos novo movimento de ocupações de escolas públicas, universidades e institutos federais, contrário tanto à reforma do ensino médio, como à PEC n. 241, outra medida de ataque à educação pública, mas que não se restringe a esse campo.
Embora o anúncio do governador paulista, Geraldo Alckmin, de adiar por um ano a reorganização tenha sido uma vitória inegável do movimento secundarista, isso demonstrou que a administração continua defendendo que “uma série de boatos” teria “confundido a população”. Além disso, o governo segue realizando a “reorganização” disfarçada e silenciosamente, fechando salas em vez de ciclos e escolas inteiras.
(...)







Antônia M. Campos – Mestre em Sociologia na Unicamp; Jonas Medeiros – Doutorando em Educação na Unicamp; Márcio M. Ribeiro – Professor da EACH-USP – Novembro 2016.
IN Le Monde Diplomatique Brasil.