domingo, 31 de janeiro de 2016

A esquerda e o aparelho econômico-produtivo latino-americano: uma reflexão para sair do labirinto


Todos os processos de transformação progressista do capitalismo tiveram e têm que transformar o aparelho econômico-produtivo e tecnológico herdado. Processos como os nossos, em que essa transformação de longo alcance tem que ocorrer no marco de um capitalismo periférico conturbado por recursivas crises de governabilidade, demandam ações nas frentes externa e interna.

Renato Dagnino
Todos os processos de transformação progressista do capitalismo, e aí me refiro temerariamente a um espectro que vai da revolução russa aos dos governos pós-neoliberalismo latino-americanos, tiveram e têm que transformar o aparelho econômico-produtivo e tecnológico herdado.
Processos como os nossos, em que essa transformação de longo alcance tem que ocorrer no marco de um capitalismo periférico conturbado por recursivas crises de governabilidade, demandam ações nas frentes externa e interna. Duas propostas que convivem no seio da esquerda as avaliam de forma distinta. Vou argumentar que só uma delas nos permitirá sair por cima do labirinto – político, mas com causação econômica – em que a direita recorrentemente nos tenta embretar.
Na frente externa, excetuando as alianças provocadas pelo crescente apetite estadunidense, nossos adversários não mudaram muito. Por isso, as ações não têm como diferir substantivamente da proposta nacional-desenvolvimentista pactuada por nossas elites. Trata-se de adicionar valor às commodities, buscar arranjos de integração regional que diminuam nossa dependência dos centros de poder mundial, proteger o mercado para garantir a lucratividade das empresas locais (nacionais e estrangeiras), ganhar a confiança do “mercado global” para atrair investimento estrangeiro direto, etc.
Pelo menos duas dificuldades se somam às que essa proposta enfrentou. A primeira é a mundialização e financeirização do sistema capitalista – unipolar “neoliberalizado” –, associadas às rupturas tecnocientíficas que quem o domina provoca, explora e aproveita. Ela tem sido exaustivamente analisada pela esquerda (e, é claro, pela direita) para propor ações, inclusive no âmbito econômico-produtivo interno, para superá-las.
(...)






Renato Dagnino - Professor titular da Unicamp nas áreas de Política Científica e Tecnológica e Gestão Pública – 27.09.2015.
IN Revista Forum.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Não há calouros pretos em 6 dos 10 cursos mais concorridos da Fuvest



AS DEZ CARREIRAS MAIS PROCURADAS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DA FUVEST FORAM MEDICINA (SÃO PAULO), MEDICINA (RIBEIRÃO PRETO), PSICOLOGIA, ENGENHARIA CIVIL (SÃO CARLOS), ARTES CÊNICAS (BACHARELADO), AUDIOVISUAL, JORNALISMO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA, RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ARQUITETURA (SÃO CARLOS). DESSAS, SÓ HÁ CALOUROS PRETOS EM 2015 NOS CURSOS DE MEDICINA (SÃO PAULO), ENGENHARIA CIVIL (SÃO CARLOS), JORNALISMO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS.

Cristiane Capuchinho, Ana Carolina Moreno e Gabriela Gonçalves  
Em seis das dez carreiras mais concorridas da Fuvest 2015, nenhum candidato preto foi aprovado no vestibular e se tornou calouro da Universidade de São Paulo (USP) neste ano. O termo preto é uma das cinco opções de resposta para a pergunta "Qual é a sua cor ou raça?" feita para o calouro no momento da inscrição. Há ainda as opções branca, parda, indígena e amarela.
Levantamento feito pelo G1 com dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Fuvest comparou o perfil dos calouros nos cursos mais concorridos.
 (...)






Cristiane Capuchinho, Ana Carolina Moreno e Gabriela Gonçalves  – 03.06.2015.

IN Portal G1.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Elites controlam o sistema judicial, mostra pesquisa da USP


No estudo, verificou-se que as três elites políticas [do sistema jurídico nacional] identificadas [intelectuais, profissionais e institucionais] têm em comum a origem social, as universidades e as trajetórias profissionais. (...) O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. (...)
“No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos. É exigido como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram”, afirma o pesquisador.
Por fim, outro fator relevante constatado no levantamento é o que Almeida chama de “dinastias jurídicas”. Isto é, famílias presentes por várias gerações no cenário jurídico. 

Cida de Oliveira
São Paulo – Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.
Para sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais.
Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da Justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito que atuam na administração da Justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.
O último grupo, das elites intelectuais, é formado por especialistas em temas relacionados à administração da Justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, tem influência nas discussões sobre o setor e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.
(...)





Cida de Oliveira – 08.11.2010
IN Rede Brasil Atual.