segunda-feira, 22 de maio de 2017

O governo se dedicou ao Congresso, esquecendo da sociedade


Fruto do Parlamento — de seus vícios e suas taras —, o governo olha, exclusivamente, para o Congresso. E se dedica aos mais que manjados mecanismos de “convencimento parlamentar”: a cooptação e o fisiologismo. Não bastam. Esquece-se da sociedade ou, antes, limita a sociedade aos ciclos, fóruns e reuniões empresariais. Acredita fazer sucesso, sem saber que, na verdade, prega a convertidos. Política de massas é ação mais ampla e complexa; requer comunicação, convencimento, atração de lideranças.

 

Carlos Melo

Pode-se ser favorável às reformas e, eventualmente, simpático ao governo, mas é necessário admitir o óbvio: nesta sexta-feira, o país parou. Por meio de sindicatos, os contrários às reformas acionaram os mecanismos que controlam e fizeram a paralisação que, de fato, teve feitio de Greve — que, se não foi Geral, tampouco foi localizada. Não há eufemismo possível: o país parou e mandou um recado claro: mudar o status quo não vai ser tão simples quanto o governo e o mercado querem crer.
A adesão dos trabalhadores dos meios de transporte coletivo viabiliza a greve; limita-se, no entanto, a greve a isto? Não. A paralisação do transporte é uma fundamental mão na roda: como percorrer as longas distâncias nas grandes cidades e chegar até o trabalho sem a condução? Mas, não foi apenas isso: professores, mesmo das escolas particulares, aderiram e já haviam antecipado a suspensão das aulas; em todo o país, bispos da Igreja Católica (CNBB) deram apoio; outras categorias também pararam.

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Para continuar a leitura, acesse  http://carlosmelo.blogosfera.uol.com.br/2017/04/29/o-governo-se-dedicou-ao-congresso-esquecendo-da-sociedade/?cmpid=copiaecola

 

 

 


Carlos Melo – Cientista Político – 29.04.2017.
IN Blog do Carlos Melo.


sábado, 20 de maio de 2017

Um zumbi no planalto


Em vez de demonstrar força, o discurso do "fico" forneceu um atestado de fraqueza política. Em tom irritadiço, o presidente esbravejou e elevou a voz, mas não esclareceu nenhuma das suspeitas que o cercam.

Bernardo Mello Franco
Michel Temer, o presidente sem votos, agora quer ser presidente sem governo. Flagrado numa trama de corrupção e obstrução da Justiça, ele vê sua autoridade se esfarelar em praça pública. Mesmo assim, insiste em se agarrar à cadeira.
O governo começou a respirar por aparelhos na noite de quarta. Assim que o diálogo com o dono da JBS foi divulgado, aliados passaram a discutir procedimentos para desligar as máquinas. As conversas avançaram pela madrugada de Brasília.
Na residência do presidente da Câmara, quatro ministros discutiram as exéquias do chefe. Todos trataram Temer como um cadáver político. Restaram divergências sobre a forma de removê-lo do palácio: renúncia, impeachment ou cassação no TSE.
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Bernardo Mello Franco – Jornalista – 19.05.2017.
In Folha de S. Paulo.



Aliança das empresas com o poder político foi incapaz de estancar a sangria


Vitor Marchetti – “Claro que é importante [o papel da mobilização da sociedade] e produz algum impacto no universo político, mas eu acho que este jogo está sendo operado nos bastidores. Como quase sempre. Esses movimentos são importantes para produzir pressão e desestabilizar alguns setores políticos, mas boa parte das decisões impactantes é produzida em gabinete. E eu acho que, neste momento, ainda mais. Esta aliança entre o setor produtivo e o Judiciário põe a coisa ainda mais dentro do gabinete”.

Débora Melo
Diante da incapacidade de Michel Temer e seu grupo político de “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato, o setor produtivo brasileiro decidiu romper sua aliança com a classe política. Esta é a análise que faz o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), sobre o vazamento da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS.
Temer foi gravado dando aval a Batista para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A gravação foi feita em ação conjunta da Polícia Federal com a Procuradoria-Geral da República. Para Marchetti, o que está em curso pode ser um novo pacto, desta vez entre os agentes econômicos e o Judiciário.
Nesse cenário, diz o professor, o mais provável é que o "PIB" busque novos parceiros para a concretização das reformas impopulares em curso, como a da Previdência. "O principal indício disso, o mais emblemático, é a reunião da ministra Cármen Lúcia com uma parte do PIB, feita recentemente", afirma Marchetti.
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https://www.cartacapital.com.br/politica/alianca-das-empresas-com-o-poder-politico-foi-incapaz-de-estancar-a-sangria





Débora Melo – 19.05.2017.

Vitor Marchetti – Cientista Político, Professor da UFABC.
IN Carta Capital.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O falso dilema dos parques segundo Doria e o caso do Central Park


o modelo [de Nova Iorque]não pode ser chamado de concessão nem de privatização. A organização não tem fim lucrativo; seu objetivo é levantar e administrar recursos provenientes de entidades privadas para a manutenção de um bem público, cujo funcionamento, acesso gratuito e caráter não comercial são assim assegurados. O Central Park pode até ser rentável, mas toda sua rentabilidade é investida no próprio parque – ideia oposta à de uma concessão ou privatização stricto sensu, na qual a rentabilidade seria embolsada pela concessionária.
Ainda assim, apesar do Central Park ser um caso de sucesso, existem problemas próprios desse modelo de funcionamento e gestão.

Luanda Vannuchi e Mariana Schiller
No ano passado, logo após ser eleito, o ainda não empossado prefeito de São Paulo, João Doria Jr., apresentou uma lista de 15 parques-modelo para serem concedidos à iniciativa privada. Pouco depois, o prefeito afirmou que estudava importar o modelo de gestão do Central Park, gigantesca área verde na cidade de Nova York, para o Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. Diante do argumento de que a prefeitura seria incapaz de arcar com os custos de manutenção dos 109 parques da cidade, sobram propostas de concessão, parcerias público-privadas e privatizações. A agenda é tão prioritária para a nova gestão que envolveu a criação de uma pasta exclusiva para isso, a Secretaria de Desestatização e Parcerias.
Preocupa, no entanto, que as concessões sejam anunciadas desacompanhadas de estudos que comprovem o benefício ou mesmo a viabilidade da transferência desses bens para o privado, sem explicações sobre como será feito, sem debate público e, principalmente, sem garantias da manutenção do caráter público desses bens uma vez concedidos ou privatizados. Dessa forma, Doria parece tratar a coisa pública como se fosse propriedade privada da sua gestão.
A privatização é apresentada como solução antes mesmo que o problema seja identificado e trazido a público. Mas qual o problema específico do Parque Ibirapuera? E dos demais parques públicos municipais? É uma questão orçamentária? É um problema de gestão? A privatização poderá solucionar esses problemas? Como? Quais as garantias? Não seria interessante que essas questões fossem trazidas ao debate público?
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Luanda Vannuchi e Mariana Schiller – 03.03.2017.
IN Observa SP.